sexta-feira, 14 de março de 2008

E AGORA 75 ANOS PASSADOS?

"Um povo que não vê, que não lê, que não ouve, que não vibra, que não sai da sua vida material, do deve e haver, torna-se um povo inútil e mal-humorado"


In "Política do espírito", artigo publicado no Diário de Notícias em 21 de Novembro de 1932 por António Ferro, Secretário da Propaganda Nacional do governo do Dr.António Salazar.

terça-feira, 11 de março de 2008

Ó DIABO...

Com o título "As toleirices do ministro Jaime" escreve o JORNALISTA Alfredo Farinha um extraordinário artigo sobre o nosso país e os politiqueiros que navegam nestas águas. Com uma clarividência absoluta, Alfredo Farinha coloca o dedo na ferida, ou por outra, nas diversas feridas que nos chagam o corpo e chama os bois pelos nomes. Como o visado é o senhor Jaime, ministro de coisa nenhuma, diz o o articulista:" O senhor Jaime é ministro, ministro dum governo socialista, ministro dum senhor que se dá pelo nome de Sócrates, que é o chefe de todos, os outros ministros, aprendeu politica não se sabe onde (talvez no mesmo sitio em que, diz, terá andado a aprender o ofício de engenheiro de redes municipais de águas e saneamentos) mas ao qual se terá dedicado apenas durante o tempo indispensável para concluir que se tratava de uma profissão bem mais exigente e menos rendosa do que a de militante (qualifie of course) dum partido que se intitula, abusiva e mentirosamente, representante de um determinado naipe de portugueses que não ocupam nele, todavia, nenhum cargo de chefia importante: os trabalhadores. Na dúvida decida o leitor: dos dez, vinte ou cinquenta nomes dos socialistas mais conhecidos, incluindo Presidentes da Républica, Primeiros Ministros e Ministros mais destacados; deputados, presidentes de Câmara ou dezenas de Conselhos de Administração, quantos e quais terão sabido, por experiência real e não virtual, o que é essa coisa distante, maçadora e cheirando a suor, que é o trabalhador?"

ASCENSÃO DE SALAZAR

"A 1 de Junho de 1928, Salazar publica um decreto sobre incompatibilidades e acumulações de cargos. O objectivo deste decreto é claramente moralizador: eliminar alguns "tachos" bem remunerados."

Do livro: Os anos de Salazar.

PERGUNTA INDISCRETA

Quem quer casar com a culpa?
Neste país da treta, esta desgraçada morre sempre solteira!

É PRECISO OUVIR OUTRAS VOZES

"Portugal é um país muito pobre a caminho de graus inferiores de pobreza" - Marques Bessa, prof. catedrático


" Portugal já enfrentou pior, mas tinha elites rurais, aristocratas e homens bons. Havia um designio para lá do umbigo e das barrigas devoristas dos devoristas desta III República, que tomam a todos por tontos" - idem

" Mais vale ser marginal que viver na lei" - idem

"Os partidos já não são a solução do problema, mas passaram a fazer parte do problema" - Rui Moreira, Presidente da Associação Comercial do Porto


" Ao mesmo tempo que os 100 mais ricos de Portugal viram as suas fortunas num ano crescerem 36% a maioria das pessoas viu diminuídos os seus aumentos. Tudo isto cria um mal-estar profundo" - Fernando Nobre, AMI

PONTO DE MIRA

O informador da Pj foi vitima de acidente...pois...

O segurança do Colombo suicidou-se... pois...

Em Sacavém e Oeiras a arma disparada foi a mesma... pois

Um pedófilo da Casa Pia de terceira categoria foi condenado. E os outros? pois...

O galinheiro dos pintos continua douradamente de porta aberta... pois...

Há milhares de armas à solta... pois...

A nossa paisagem rural continua a ser poluída com a instalação desses monstros eólicos. Agora a mesma sumidade que parou o túnel do Marquês, quer instalar em Lisboa 25 torres eólicas... pois...

segunda-feira, 3 de março de 2008

BARREIRO

Há uns tempos que não ia ao Barreiro, cidade da margem sul, por onde andei alguns anos da minha adolescência. Para lá caminhei aos dez anos, quando iniciei os estudos na Escola Industrial e Comercial Alfredo da Silva. Foram quatro anos de viagens de combóio, outras vezes a pé, atravessando a ponte dos caminhos de ferro ou passando o rio num velho bote de madeira. A vila de então era escura, de casas acinzentadas, muito por via dos fumos e gases que as fábricas da CUF expeliam para a atmosfera tornando o ar irrespirável e a paisagem sombria. As velhas locomotivas a carvão também contribuíam para aquele cenário deprimente. Agora, há uma semana, porque o meu velho amigo Augusto Mexa, antigo companheiro de escola e camarada de armas, aqui e na guerra, me convidou para a inauguração da sua exposição de escultura e pintura, voltei ao Barreiro. Infelizmente , pouco mudou, as casas continuam cinzentas , as ruas esburacadas, os jardins mal arranjados. Nestes anos todos o mundo mudou, Portugal mudou, mas parece que o Barreiro mudou... para pior. Apenas a CUF mudou para Quimigal, as chaminés deitam menos gases, mas a modernidade parece-me que ainda não chegou. Não visitei a minha velha escola, talvez assim fosse melhor. Para minorar a minha tristeza apenas a qualidade dos trabalhos de Augusto Mexa os quais ficam aqui representados por esta colagem.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

REVIVER LISBOA

A camioneta da carreira passava à hora certa, Canhoto o chauffer, apitava estridentemente para avisar os retardatários. Todo aperaltado, saía de casa a correr, ainda a tempo de tomar o meu lugar na camioneta. Vergada ao peso das malas e outros atavios, que se alojavam no tejadilho, a viatura partia rumo a Lisboa, fazendo o trajecto junto ao rio até à Torre da Marinha, enviezando depois para o Fogueteiro e retomando outra vez a rota do rio quando se passava pela Amora, freguesia do Concelho do Seixal e desembocava na estrada nacional, estreita, mal arruada e pejada de carroças carregadas de hortiças, que se destinavam ao Mercado da Ribeira. A viagem até Cacilhas era atribulada e mais atribulada seria se o barco que me levava a Lisboa, atravessando o Tejo, apanhasse uma daquelas marés vivas, de águas esverdeadas e bastante onduladas. Depois no Cais do Sodré apanhava o eléctrico para o Camões, descia a pé até ao Chiado, contornava o Grandella e chegava ao Rossio. Atravessava a praça, ia à Suíça beber um café e tomava um autocarro da Carris, todo verde, sem publicidades, de dois andares e do alto do primeiro contemplava a avenida da Liberdade, olhando o Palladium e o Éden pela esquerda, espreitando o Condes e o Odeón, pela direita, chegando ao Marquês, disfrutando do Parque Eduardo Sétimo, rumando Fontes Pereira de Melo acima até ao Saldanha, ponto final da minha viagem. Ali, imponentes, estavam o cinema e o teatro Monumental. Na frontaria, um enorme cartaz, anunciando os espectáculos. No meu bolso um bilhete de 50 escudos comprado religiosamente semanas antes, dentro da sala uma figura incontornável da canção francesa: Adamo. Agora, sentado em frente do meu computador, ouvindo "Tombe la neige" revivo a Lisboa de então.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

POEMA QUARENTA E DOIS

Como eu sofro por ti, terra, vila, cidade
quando agarro as palavras dos que sofrem
os males que os donos deste país espalham ao vento.

E as crianças e os velhos aspiram esse pólen
que os sufoca e asfixia. E não cospem nem vomitam
essa mistela venenosa que lhes injectam.

Como eu sofro por ti gentio do meu país
cabisbaixo e destroçado numa amálgama de desânimo
encostado às cordas sem poder vir à luta.

E sofrendo, eu sonho que tudo se pode voltar
se nos erguermos, se esquecermos os brandos costumes
e se acrescentarmos asas, podemos voar!

YOUTUBE

Estou simultâneamente a escrever no blogue e em ligação com essa maravilha que é o youtube. Gravo as minhas pinturas enquanto oiço Tchaikovsky. Dez minutos da primeira parte da abertura 1812. Adoro o 1812! Antes passei Aznavour, os beatles , José Cid e Jacques Brell. Como é bom reviver estas músicas. Tenho muitos discos antigos, cassetes, dvd's e cd's mas o youtube proporciona-nos a música e a imagem de tantos cantores e canções de que obviamente não possuíamos registo. Por sorte hoje à tarde tive a oportunidade de ver na Tv uma parte do filme Guerra e paz. Memórias.

PADRÃO DOS DESCOBRIMENTOS

AUTO-RETRATO

CRISTO

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

SEIXAL

Nasci ali, numa casa entre a rua de cima e a rua principal, no Bairro Novo, ponto mais alto desta cidade ribeirinha, margem do rio Jordão, afluente do Tejo. Nasci ali na então vila de pescadores e corticeiros, entre duas ruas e duas fábricas de cortiça, refúgio e sustento das mãos operárias que moldavam as pranchas virgens da cortiça do Alentejo que chegavam em camiões ronceiros muitas das vezes guiados pelo velho Hildefonso e que chegavam adornados pelo peso da carga. As duas ruas, paralelas, desciam até à vila e encontravam-se com o rio, vislumbrando Lisboa ao fundo. O rio de então, era para mim um mar, que atravessaria mais tarde, centenas de vezes, rumo a essa Lisboa, no velho sul-expresso, barco instável e destemido que navegava marés e nevoeiros. Até lá, bordejava o Jordão até à velha escola primária e mais tarde até ao Barreiro, vizinho de agruras e misérias, e onde se chegava pelos velhos combóios a vapor da CP, atravessando a velha ponte de ferro. A vila vivia emparedada pelo rio e pelas diversas quintas que faziam o perímetro do concelho.
Hoje, a cidade do Seixal, modernizou-se, rompeu as barreiras desse espartilho, as fábricas desapareceram, as quintas lotearam-se e o betão cresceu. As novas ruas cruzaram o concelho, alargaram-se e alindaram-se. As escolas surgiram, o Tribunal ergueu-se, o combóio desapareceu mas no seu lugar nasceu uma nova estação fluvial. Surgiram os novos andares, as vivendas, os condomínios e até o Glorioso montou arraiais na Quinta de Trindade, com o seu Caixa Campus.
Mas nem tudo são rosas, a par do combóio que deixou de existir, foram-se as fábricas e até a Siderurgia Nacional se apagou. A cidade não tem um cinema e o clube da terra eclipsou-se. Ainda assim a cidade tem alguma vida cultural e projecta-se na agenda da Câmara Municipal, com o festival de Jazz e as exposições. Seixal, cidade margem do Tejo, com a sua baía voltada a Lisboa, tem hoje uma projecção maior muito por via desse monstro do desporto nacional que é o Sport Lisboa e benfica.

MADRID



Madrid, nove da manhã, hora local. Desembarcamos em Barajas depois de uma viagem calma de uma hora apenas. Como eu gosto. A procura das malas é um desespero, pela grandeza destes aeroportos, onde as distâncias a percorrer são sempre enormes. Espero que o nosso "Jamais" esteja um pouquinho mais organizado. Depois, a procura do metro e a viagem até à estação de Sevilla, na linha vermelha, depois de mudarmos em Colombia para a linha roxa e depois em Príncipe de Vergara para a linha vermelha. E eis Madrid, centro, rumo à gran via e ao hotel N10 Villa la Reina. Um hotel simpático de quatro estrelas, e duas espanholas atenciosas num check in rápido. Foi só um tempo para poisar as malas e partir à descoberta duma cidade desconhecida. Sexta-Feira, manhã cinzenta, uma multidão percorrendo as ruas, enchendo as lojas, os cafés, os bares, os restaurantes. Turistas de câmaras de filmar, de máquinas fotográficas, disparando foto atrás de foto. Um café e um cake num Starbruks de esquina, refaz a energia e leva-nos a galgar a Gran via até à plaza de España, percorrer a calle Baillén até ao Palácio real, tirar fotografias no jardim sabatini, passar pela Catedral de Almudena, ir até à plaza Mayor, ver as torres de los Luanes, correr a calle de Arenal e almoçar na Puerta del sol. Depois, passar pela Igreja de St. Cruz e pelo Palácio de St. cruz, ir até à calle de Alcalá, subindo até às puertas de Alcalá, passando pelo Banco de España, entrando na Plaza Cibelles, percorrendo o paseo de Ricoletos até à Plaza de Colon, vendo o Palácio de Comunicaciones, o palácio de Linares, a Biblioteca Nacional e o Museo Arquiológico. Depois de um sono de três horas apenas na noite anterior, a chegada ao hotel deu apenas para um ligeiro jantar e... cama. Acordar às oito, tomar o pequeno almoço e descer a gran via até à calle Alcalá, entrar na Plaza Cibelles e descer o paseo del Prado até ao Museo Thyssen. Ver Modigliani, encontrar aqui o português conhecido, da praxe, descer o paseo até à estação de Atocha, tão célebre e infelizmente conhecida, apanhar o metro até ao Campo de las Naciones e entrar na Feira de Arte Contemporânea-Arco, motivo principal desta visita. Três enormes pavilhões, centenas de galerias e dezenas de países representados numa mostra da arte que hoje se faz por esse mundo fora. Uma tarde inteira, num passo acelerado, para poder absorver toda essa substância artística. Milhares de pessoas, um almoço rápido, em pé, frente a frente a uma americana, directora de uma revista de arte, a um canto, junto de uma mesa sem cadeiras, num diálogo breve em espanhol e inglês, mastigando um bocadillo e uma cola. Voltar ao hotel, descansar um pouco e sair para uma volta pela noite, correndo à plaza Chueca, descendo a calle Montera com as suas meninas de mini saia, calças justas e preço na ponta da língua. Percorrer o Barrio dos Austrias, jantar por ali junto à barra de um bar na plaza del Calao. Manhã de domingo, cinzenta e mais fria, voltamos a descer Alcalá e o paseo del Prado, visitamos a estação de Atocha e rumamos ao Museu Nacional Rainha Sofia. Picasso está lá. Uma obra vastíssima que milhares de pessoas visitam. Em volta do Museu a agitação é grande, as filas também. Voltamos ao Paseo del Prado, subimos agora pelo lado contrário em direcção ao Prado. Hora e meia na fila para entrar, uma tarde para ver os grandes mestres, um almoço no museu e o resto do tempo para ir ao Barrio de Salamanca. O tempo chegou ao fim. Afinal ficámos a conhecer tão pouco de Madrid. Barajas está a quarenta minutos, o avião à espera e Lisboa a um passo. Voltaremos.

ESTRELAS

De repente as estrelas caíram do céu
Rasando as nossas cabeças
E nós distraídos nem sequer olhámos


Os peixes sobrelevaram as ondas
Cavalgando corcéis alados
E nós sem percebermos mergulhámos
As cabeças no vazio


E só depois quando as estrelas
Se afundaram no horizonte
É que reparámos que o mar não tinha mais peixes

MUSEO THYSSEN-BORNEMISZA


Três dias em Madrid é muito pouco tempo para ver tudo. Na sexta-feira corri parte da cidade a pé para ver o ambiente, as gentes, a arquitectura. No Sábado de manhã, foi o dia dedicado ao Museo Thyssen-Bornemisza e aqui apenas a exposição dedicada a Amedeo Modigliani foi possível ver. A exposição aborda um conjunto de obras desde a sua chegada a Patis em 1906 até à sua morte com apenas 35 anos de idade. Apesar tratar-se de uma exposição centrada num único artista, formam parte dela, tanto as suas obras, pinturas, desenhos e esculturas, como a dos artistas que faziam parte do seu núcleo artístico. A exposição apresenta o núcleo de Modigliani e seus mestres, retratos, desenhos, nús e paisagens. A exposição completa-se com uma sala dedicada a fotografias de Modigliani e lugares onde trabalhou e viveu. A exposição Modigliani e seu tempo que está em Madrid no Museu Thiessen até 18 de Maio de 2008. Vale a pena visitar até porque, com a polémica das alterações do Paseo do Prado da autoria de Siza Vieira, O museu está a pensar em mudar de ares...

AZNAVOUR - O CONCERTO

Um pavilhão do Atlântico cheio. No palco um orquestra de 14 figuras. Na plateia, entre novos e velhos, uma memória colectiva. No centro deste mundo, uma figura vestida de negro, imagem do eterno solitário e uma voz inimitável. Duas horas de espectáculo, um desfiar de canções velhas e novas, ao ritmo das nossas emoções. La bohéme em coro, uma lágrima perdida no tempo, uma Avé Maria profunda nas nossas recordações. Com Aznavour a canção francesa continua viva. Aos 83 anos de idade é uma imagem para o mundo e um exemplo para todos. Volta Charles!

SEREIAS

No espelho em que me vejo e me invento
Imagino as manhãs longas que vou parir
Sonhando este mar chão onde florescem
Pequenas sereias de quem acalento
Saborear os frutos que amadurecem
À beira-mar do meu contentamento.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

EL CORTE INGLÉS

Começa segunda-feira, dia 25 de Fevereiro, pelas 19 horas, no El Corte Inglés, um ciclo de conferências sobre "Lisboa e a História". A primeira sessão "Reflexões sobre a morte de um Rei" realiza-se no restaurante do 7º andar , junto à sala do Âmbito Cultural. Deixo aqui um apelo aos meus amigos e leitores do meu blogue: Apareçam.

O CONCERTO

Faltam poucas horas para ir para "La bohéme" que é como quem diz, rumar ao Pavilhão do Atlântico e ver e ouvir o concerto de Charles Aznavour. Até à última ainda tentei uma "borla" mas não foi possível e assim, tive que me "baldar ao guito" ou ficava em terra. (Ah este português da malta...). "Et pourtant" estou ansioso pelas 21,30 de amanhã.

TERAPIA DO AMOR - O FILME

Tenho uma estante cheia de DVD'S, muitos dos quais ainda não vi. De vez em quando compro um, outras vezes é o João Pedro que resolve aumentar o espólio. Últimamente aderi às campanhas do Correio da Manhã e do Jornal de Notícias, que às Sextas-Feiras oferecem um filme na compra do jornal. Um dia destes , depois de almoço, resolvi pegar num dvd ao acaso e ver descansadamente um filme. "Terapia do amor" foi o que me calhou na sorte e me proporcionou uma sessão de 100 minutos de um filme que explora com humor e ternura a alegria de nos apaixonarmos perdidamente por alguém e as lutas que inevitavelmente se seguem. Grandes diferenças de idade, percursos de vida desiguais e exigências de família tornam este filme num apetitoso romance moderno e urbano. Com interpretações de Meryl Streep, Uma Thurman e Bryan Greenberg , este é um filme a não perder.

MÁRIO SOARES À REVISÃO

Um dia destes num telejornal da Sic Notícias, Mário Crespo pergunta ao seu convidado, o inesquecível Presidente Mário Soares: " O sr. revê-se neste PS?" E Mário Soares respondendo disse:
" Se eu não me revêsse... se eu não me revêsse..."
E ainda querem mudar o acordo ortográfico!!! Alô Edite Estrela!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

TIMOR 2

NEW YORK

AS CHEIAS

Ligo a TV, folheio os jornais e as notícias são, nestes últimos dias as cheias. Não percebo porquê de tanta agitação. Nós estamos cheios de cheias, todos os dias durante o ano inteiro. São as politiquices CHEIAS de mentiras; são as bolsas de alguns, CHEIAS de dinheiro; são as barrigas dos pobres, CHEIAS de miséria; são as vidas dos jovens, CHEIAS de desemprego; são as administrações de algumas instituições bancárias CHEIAS de manigâncias; são as figuras do apito dourado CHEIAS de prosápia; são as pedofilias CHEIAS de inocentinhos e até os Valentins Loureiros de barrigas CHEIAS de vento, dão 15 a 0 à justiça!

ESTE MEU PAÍS

Já tenho alguns anos de vida, mas reconheço que não conheço nada do mundo. Do meu primeiro horizonte conhecido, o Seixal, até ao último, Madrid, vão um pequeno número de países e cidades, onde conheci pessoas, arquitecturas, costumes. Tenho feito, ao longo do tempo algumas críticas ao nosso país e de algum modo elogiado algumas terras por onde passei, mas nada do que disse e critiquei põe em causa o que penso: Sou português aqui e agora, como diria o meu amigo José Fanha, adoro o meu país e nunca viveria eternamente noutro país. Mas fico triste quando faço comparações e mais triste fico porque passados quarenta anos a culpa continua a ser do António ou do D. Afonso Henriques. Não aprendemos a crescer (alguns crescem, alguns crescem) e nem nesta Europa a vinte e cinco conseguimos sair da cauda. Costuma-se dizer "que só falta esfolar o rabo", mas a nós esfolam-nos a pele e roem-nos a carne. Não há cauda que aguente!

MASSACRES

A jornalista Felícia Cabrita escreveu o livro "Massacres em África" onde desvenda páginas negras da história. Não li o livro, mas espero fazê-lo em breve, no entanto fico na expectativa quanto às verdades boas e verdades más, ou por outra, para certas pessoas há guerras boas e outras más, ou massacres que se justificam e outros não. NENHUMA GUERRA É BOA!

DITADORES

As notícias de hoje dão relevo à despedida de Fidel de Castro e aos seus quarenta e nove anos de presidente. Nenhum jornal ou Televisão disse que com os seus 49 anos de DITADOR, Fidel entrou na lista de recordes batendo o velho António. Como se Cuba fosse uma democracia...

ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS

Li no jornal Metro uma entrevista com o actor espanhol Javier Bardem sobre um filme dos irmãos Coen e que ele interpreta. Nada sei sobre o filme apenas o título me saltou à vista: "Este país não é para velhos". Não faço a mínima ideia de que país se trata, não conheço o argumento mas o título pode bem aplicar-se a este nosso bem amado país. Só que, também me parece que não é para as crianças, nem para os jovens. É um país só para alguns! A título de curiosidade a estreia está marcada para o dia 28 de fevereiro.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

A VISITA

Três dias não dão para muito e pensando que a viagem tinha como fim visitar a ARCO, muito menos tempo ficou para a cidade. Acrescentando que visitei o Museu Thiessen para ver Modigliani, corri ao Museu Rainha Sofia para ver Picasso e ainda dei um salto ao Prado para ver os Mestres, podem calcular que foi uma correria sem fim. Mas valeu!

AQUI É OUTRA MÚSICA

Em Espanha um Zapatero faz política
Em Portugal um sapateiro toca rabecão.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

POEMA QUARENTA E UM

Como eu te amo Lisboa
e choro por te ver triste e deserta
Como eu choro ao correr as calles de Madrid
e ver este fervilhar de alegria à sexta ao sábado
nas plazas nos paseos nos museos
Ah como eu gostava de ver o Rossio pela noite fora
agitado num mar de portugueses felizes
a avenida da Liberdade palpitando de gente
do Marquês aos Restauradores
Correr do Chiado aos Cais do Sodré e ver o rio engalanado
por um gentio sentindo a maresia da vida
Ir ao Camões, subir ao Príncipe Real
ver a baixa do alto de S. Pedro de Alcântara
Sentir o vaivém das compras de loja em loja
por entre o Coliseu e a Praça da Figueira
Aspirar o aroma da ginginha comer um bife na Suíça
ir à Nacional tomar um café
retornar ao Rossio apanhar o combóio
e regressar a casa sem regressar ao passado.

AUSÊNCIA

Já não escrevo há alguns dias, não porque a inspiração não viesse, mas porque estes últimos dias têm sido um pouco atribulados. Especialmente porque decidi vir a Madrid à Feira Internacional de Arte Contemporânea, vulgo ARCO. E é exactamente de Madrid que estou a escrever estas linhas depois de dois dias de estadia, o que não sendo muito, já deu para verificar que efectivamente isto é outro mundo. Que diferenca entre Portugal e Espanha! Escrevi em tempos quando visitei outro país, que pareço um "parolo" a visitar a cidade. A minha visão de cidades e países é curta, mas tem vindo a aumentar, porque a pouco e pouco tenho perdido este não gostar de andar de avião e calmamente, em viagens de pouco tempo lá vou esvoaçando. Fiz no começo do ano a promessa de escrever um poema por dia e até agora, excepto nesta ausência, tenho cumprido, agora tenho em mente outro projecto, que é falar das terras que já conheci. Nao será um livro de viagens, mas somente um dar a conhecer de vilas e cidades por onde passei.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

SOBRE TIMOR

O quadro que abaixo trago ao blogue, faz parte de uma série de pinturas que fiz em relação a Timor, bem como alguns poemas que escrevi sobre este jovem país. Todos os impérios caem, e o nosso para não fugir à regra também se desmoronou. Timor tornou-se independente, mas está claramente dependente de tudo e de todos. Naquele tabuleiro de xadrez continua o jogo, e nós que fomos rei, rainha e bispo, somos agora um pequeno cavalo, que em saltos inopinados, tenta pôr ordem naquele campo minado. Relembro aqui e agora o poema intitulado "Povo Mauber" e que foi premiado num concurso de poesia da Câmara Municipal da Amadora.


POVO MAUBER

Trilharam caminhos
galgaram veredas
subiram montanhas
de mão em mão
pelo silêncio da noite
murmuraram a dor
morderam as lágrimas
sufocaram a emoção

Queimaram-lhes as casas
mataram-lhes os filhos
vergaram-lhes os corpos
em vão
derramaram-lhes o sangue
infernizaram-lhes a vida
mas os sonhos o carácter a alma
NÃO!

TIMOR

sábado, 9 de fevereiro de 2008

SONHO

Um dia sonhei que o meu país era um país!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

POEMA QUARENTA

Já não são as marés que desmaiam na orla do teu corpo
e escorrem em pequenos riachos para a reentrância do teu ventre
que adornam a minha nau
Já não são os ventos que se amainam nas encostas dos teus seios
e acariciam o aveludado dos teus cabelos
que enfunam as velas da minha caravela
Já não são as noites de luar que se projectam no teu rosto
e iluminam o teu sorriso
que inundam o porão do meu navio

São as tempestades que se avizinham que tornam este oceano tumultuoso
e levam esta frágil armada a naufragar

CAVALO MARINHO

POEMA TRINTA E NOVE

Que me importa apenas um poema
feito de palavras incontroladas
se o grito nelas contido
for sufocado?

CHARLES AZNAVOUR 2

Fiquei agradavelmente surpreendido com a entrevista que Judite de Sousa fez ontem na RTP ao cantor Charles Aznavour. E fiquei surpreendido por ver um "jovem" de oitenta e três anos, com um ar sereno, um discurso nada saudosista e uma frontalidade assombrosa. Aznavour não é só um homem das canções e do cinema, mostra-se também um humanista, conhecedor dos males da nossa sociedade e dos perigos que acossam o nosso planeta. A sua luta pela causa dos mais necessitados é de realçar. Respondendo a Judite de Sousa, referiu que esta é a última digressão... antes da próxima e assim, com projectos deste tamanho se vê a força deste francês que conheceu Amália Rodrigues, adora o fado e tem duas canções sobre Portugal: "Lisbonne" a mais antiga e "fado, fado" a mais recente e que irá interpretar no Pavilhão do Atlântico. Para terminar apenas uma pequena correcção no seu discurso e que Judite de Sousa, por desconhecimento, não corrigiu:
o recital que deu em Lisboa há mais de trinta anos, não foi no Teatro Nacional, mas sim no Teatro Monumental. Até breve Aznavour.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

POEMA TRINTA E OITO

Como eu queria que essa passadeira sobre o mar
fosse um tapete mágico de tamanho encanto
onde os nossos desencontros pudessem viajar

Como eu queria que o teu corpo fosse um manto
que cobrisse o Atlântico oceano e fosse espraiar
nas margens-raízes do nosso desencanto

CHARLES AZNAVOUR

É já no dia 23 de Fevereiro deste ano que se apresenta no pavilhão do Atlântico esse grande cantor romântico que é Charles Aznavour. Aos 83 anos e com mais de 100 milhões de discos vendidos, Aznavour é um marco na canção mundial, ao ponto da revista Time e da cadeia de televisão CNN o considerar o maior artista do século XX. Aznavour visitou Portugal há mais de trinta anos, num espectáculo no antigo Cinema Monumental e em que cantou mais de trinta canções, sendo ovacionado de pé, durante mais de vinte minutos. Posso dizer que fui um dos privilegiados ( mil e poucos espectadores) que assistiram ao show. Cantou canções em várias línguas, foi actor , em mais de sessenta filmes e realiza agora a sua última tournée antes de se retirar. Canções como "que c'est triste Venise", "la mamma", "Isabelle" ou mais recentemente "She" que esteve várias semanas no top inglês e que serviu de fundo ao filme "Notting Hill", são memórias da minha memória. Espectáculo a não perder!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

NOVA IMAGEM

Bem-vindos ao novo poezzart, fruto de uma reorganização levada a cabo pelo Gustavo e pela Rita, numa tarde-noite de Carnaval. Não fomos foliar, mas acreditem que gozámos bastante na elaboração deste modelo. Ainda está aquém daquilo que pretendemos mas com o tempo decerto que chegaremos lá. Espero que gostem da nova imagem e que, gostando também do conteúdo, possam fazer os vossos comentários.

POEMA TRINTA E SETE

Quantas vezes me sento na muralha junto ao rio e regresso
ao tempo da partida
descia então o rio aquele emaranhado humano que se acotovelava
na amurada do navio
e os nossos acenos descobriam junto ao cais as lágrimas de quem via partir
um pedaço da pátria o gentio
Quantas vezes me sento na muralha junto ao rio e regresso
ao tempo da chegada
subia então o rio aquele barco em cuja amurada
faltava alguém para responder à chamada

POEMA TRINTA E SEIS

Não sei que vento é este que nos empurra para a tempestade
não sei que força é esta que destroça tantos navios
fomos sempre homens do mar
mareámos naus e caravelas entre naufrágios e descobertas
fomos a semente dos marinheiros do porvir
aportámos ao mundo marcámos as rotas
será que não temos mais caminhos a descobrir?

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

O PAÍS QUE SOMOS

Somos um país de polícias e ladrões.
Somos antes um país de maus polícias e bons ladrões...

domingo, 3 de fevereiro de 2008

POEMA TRINTA E QUATRO

É este o rio do nosso contentamento
que corre entre margens recortadas para o seu destino final
rio em desalinho de águas turvas
E de marés calmas sem grandes ondulações.

Oh rio do meu desalento
porque não desatinas e transbordas
inundando a nossa permissividade
agitando no teu interior essa revolta dos peixes
que tardam em saber nadar.

POEMA TRINTA E TRÊS

Este Tejo que me viu partir e chegar
continua tristemente a correr para o mar.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

POEMA TRINTA E DOIS

Um rei caiu ali junto ao Terreiro do Paço
fronteira entre o Rossio e o mar
Um tiro apenas esvaziou um reinado.

Outra nação emergiu
desse barco naufragado
tão longe do Oceano tão perto do rio
e nós sem sabermos nadar.

POEMA TRINTA E UM

Abram as portas das prisões, soltem os criminosos
dêem-lhe esta liberdade envenenada e
prendam essa cáfila de pobretanas que se arrastam na miséria
à mingua, sem eira nem beira.
Construam novas prisões e aprisionem lá aqueles que ficam no desemprego
acantonem os jovens licenciados sem emprego
obriguem-nos a trabalhos forçados.
Encarcerem os reformados, esses velhos párias
que andam para aí a tomar conta dos netos
tirando miseravelmente essa função ao estado
que sobrevivem com essas pensões de luxo de duzentos euros.
Chaga social que exige remédios mais baratos, que ainda quer estudar
nessas universidades da terceira idade- oh luxo! -
gente que quer ter proveitos com os certificados de aforro
e invejam os pequenos lucros dos bancos.
Massa povo que não tem pena dos pedófilos nem do apito dourado!
Prendamos essa escumalha da classe média!
Que país é este que deixa em liberdade esta caterva de ignorantes
que forjam ilegalidades, manuseiam traficâncias, evidenciam corrupção e
pelo contrário ataca essa classe de gestores, administradores e outros doutores
que com os seus parcos recursos andam pela vida a estender a mão...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

POEMA TRINTA

As palavras que pensei e escrevi e disse
oscilam agora na balança do tempo pêndulo
em que tornámos a nossa liberdade
A transparência sonhada dilui-se em silêncios
e morre dentro da cidade
nos braços de um rio que tarda em ressuscitar
POEMA VINTE E NOVE




Era neste jardim que à beira mar plantávamos
as palavras agitadas que semearam o futuro
Mas os ventos as marés as ondas
foram cataventos que destruiram as mondas
e nos catapultaram para o obscuro
POEMA VINTE E OITO




Juntávamo-nos aos sábados de tarde ao rufar do tambor
aprendendo canções, fazendo jogos, no areal do campo da bola.
À noite na soleira da porta aprendíamos as artes do amor
contadas pelos mais velhos. E sob o olhar das estrelas
sonhávamos com as meninas donzelas
que nos entonteciam nos intervalos da escola.
POEMA VINTE E SETE




Tenho memória de mim de família de pátria
reminiscências dum passado breve
pintalgado em tons de escuro
Poema de palavras diluídas neste presente
agitado por outros versos nesta liberdade
que nos cauciona o futuro
ANDAM À SOLTA



Hoje, na vila de Azambuja, andaram dois tigres à solta. Fugiram da jaula, embrenharam-se nas quintas próximas, mas foram perseguidos por dezenas de agentes da autoridade, capturados e presos novamente nas suas celas. Neste país de fábulas, andam à solta uns quantos passarões, camuflados com as penas com que nos depenam, e voam livremente e impunemente soltando o seu piar: corrupto...corrupto...corrupto.

domingo, 27 de janeiro de 2008

POEMA VINTE E SEIS




Há duas realidades nas margens do Guadiana
numa, cresce um novo país, floresce o sonho
noutra, cultiva-se o desencanto
sobrevive um povo apático e tristonho.
POEMA VINTE E CINCO




Restaurámos os sonhos nesse mítico 1640
ano de glória, marco heróico e difícil parto
Hoje, pende sobre a nossa cabeça
esse espectro dum Filipe Quarto!

sábado, 26 de janeiro de 2008

ARTE



"A arte é um fenómeno de intimidade"

definição do pintor Fernando Lanhas num artigo do Jornal de Notícias

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

POEMA VINTE E QUATRO




Fui português aqui
Não sou português agora!
POEMA VINTE E TRÊS






Se eu por fome roubar um pão
e não pagar por não ter dinheiro
sou logo apelidado de ladrão
e vou direitinho p'ró galinheiro.

Mas se o administrador dum banco
perdoar dívidas de qualquer maneira
não é mais que um "espirito santo"
que fez uma operação financeira.

Podem até fazer muito melhor
estes nossos queridos manganões
poem o dinheiro em off-shore
e depois compram acções.

É assim neste país de iluminados
que acusa o zé povo de ladrão
torna os ladrões em ilibados
e não os manda para a prisão.
POEMA VINTE E DOIS




Já não somos fronteira.
Nem raia, nem mar param o caudal
que transvaza do pote da precaridade.
Somos as praias onde desembarcam
à descoberta de novos brasis
os descendentes de Cabral.
Mas não vieram os reis
nem o clero, nem os nobres
apenas chega a tropa fandanga
Sertão de pobres
baía de vulgaridade
E nós não sendo já fronteira
sonhamos com D.Pedro
e o seu grito do Ipiranga.
POEMA VINTE E UM




Para eliminar breve a perversa conjura
chamou-se um dia Sebastião José
vão longe os tempos mas a imagem perdura
nos dias que correm para não perdermos a fé.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

POEMA VINTE




Em meu redor há este enorme vazio
palco de um país que morreu em mim
não há sonho que inunde este rio
não há poema que floresça este jardim

sábado, 19 de janeiro de 2008

POEMA DEZANOVE




Portugal podia ser um poema
cantado à mesa duma grande sala
neste banquete dito Europa
Somos neste estratagema
que é esta enorme gala
uns meros servidores de copa.
POEMA DEZOITO



Que volte D. Afonso Henriques, D. Sancho,
D. Fernando ou D. Duarte...
Que em D.Dinis ou D.João estejamos a pensar...
Que recordemos D.Sebastião...
Tudo bem.
Mas por manha ou arte
Ter-mos Sócrates a fazer de Salazar
A salvar a Pátria Mãe
Não!
POEMA DEZASSETE



Durante anos fomos amantes, infiéis corpos em brando leito derramados
os teus rios eram lágrimas que escorriam pelas montanhas dos teus seios
bordejando as margens do teu corpo e desaguando no delta do teu ventre
Durante anos guardámos as palavras que ciciávamos ao teu ouvido
para que mais tarde pudéssemos engravidar o tempo
mas tu esqueceste-te das promessas envolvida que foste por essa serpente
que te enleou o corpo e da árvore te estendeu o pecado
Em brando leito somos sobressaltados pelo apodrecer da maçã

não somos mais amantes mitigamos a fome com pedaços de esperança
esperando firmes que os brandos ventos se diluam
e nasça em cada vontade a lança
que legitime o sonho do amanhã

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

SABIA QUE...




...O administrador português ganha em média, 32 vezes mais do que o trabalhador que gere?

...Belmiro de Azevedo ganha 48 vezes mais que um trabalhador da Sonae?

...Filipe Pinhal do BCP ganha 67 vezes mais que um colaborador do banco?

...Pedro Queiroz Pereira da Semapa ganha 219 vezes mais do que um funcionário da empresa que gere?

Em Espanha um administrador ganha 15 vezes mais e no Reino Unido apenas 14 vezes mais.

É fartar vilanagem!
SISTEMA DE ENSINO É FÁBRICA DE ANALFABETOS




D. António Marcelino: Quem ouve professores a falar com confiança, vê cansaço, desânimo, desilusão, desinteresse e com professores neste estado de alma, os melhores manuais pouco valem.

General Carlos Azevedo: infelizmente a nossa educação está arredia e ausente de algo fundamental, os miúdos saem da instrução primária sem saber falar português - o que é o sujeito, o predicado, o complemento directo.


Silva Resende: a escola tem-se tornado numa fábrica de ignorantes, porque os alunos não sabem o essencial.



Profª Maria do Carmo Vieira: quando é o próprio Ministério a propor a despenalização dos erros ortográficos e a substituir em provas de aferição, textos de qualidade literária por receitas culinárias, estamos perante a demissão da Escola.

MEDALHA DE OURO


Portugal, recordista europeu de salários de luxo!


POEMA DEZASSEIS




Que recordações tenho eu de antanho
Quando as bombas caíam e a fome grassava?
Eu era pequenino, o mundo tamanho
A minha guerra era outra, comia e calava.

Que recordações tenho eu da savana
Que destroçou a juventude desamparada?
Eu era menino de pensamento e gana
Não queria ser homem de voz calada.

Que recordações tenho eu de Abril
Maré tempestade de palavra gritada?
Eu era menino e já pressentia o ardil
Dessa liberdade de boca embargada.

Que recordações tenho eu da Europa
Comunidade não por mim alargada
E que quer gerir o meu destino?

Não quero ser moeda de troca
Não vivo mais de boca fechada
Sou homem, não sou mais menino!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

UM JORNAL DOS DIABOS




Perdi o hábito de comprar jornais. De vez em quando vejo os escaparates e leio os títulos de meia dúzia de periódicos. Confesso que não me seduzem. Não gosto que me atirem poeira para os olhos, pois sou muito atreito a conjuntivites. No entanto, um amigo, emprestou-me um jornal para eu ler UM artigo. Mas surpresa, li todos! Passo, por isso, a transcrever algumas tiradas, das crónicas que li.
"O estado está ao serviço de interesses e não ao serviço de valores" Prof. José Hermano Saraiva
"A decadência à portuguesa" Alberto João Jardim
"É preciso tratar da saúde ao senhor ministro" Gentil Martins,José Manuel Silva e Miguel Leão
" Plano tecnológico: entre o bluff e a propaganda" Ana Clara
"Aprovará Cavaco as borradas de Sócrates?" Alfredo Farinha
e entre outros artigos o comentário de vários analistas ao título " o país insatisfeito de Cavaco ou o país cor-de-rosa de Sócrates?"
Acho que vale a pena ler estes artigos que o Jornal "O Diabo" publica, embora reconhecendo que este jornal tinha um lado direitista, não sei se todos os autores o terão, mas que há lá verdades a relembrar, isso há.
POEMA QUINZE



MANIFESTO ANTI-S



Não gosto de ésses.Basta de ésses!
Abaixo os ésses, a dinastia dos ésses, a pluralidade dos ésses
dos de sá, que me lembra o pinto e o pinto que me lembra costa
e o mar que me salga, que destila sal, que vai à sala e
por azar também é sa, de sal, de Salazar
e do ar, que nos deu, inquinado ou não, conforme a opinião
ar de mar, de maresia, de opinar, de cortar o pensamento e degredar.
Não gosto de ésses
abaixo a monarquia dos ésses!
Abaixo os reis, abaixo o S de Sebastião, mas abaixo o nosso reizinho, não!
Abaixo o se de bastião, não gosto de bastiões, nem sequer envoltos em nevoeiro
que os ésses podem voltarem em manhãs de escuridão
mas às vezes, porque não, servir um certo abanão
à mesa dos comilões.
Não gosto do S de salmão, mas gosto de salmão, posso tirar-lhe o S e gritar p'rá cozinha:
sai um prato de almão, mas nós não temos almão
temos apenas alminha, tão débil, tão quebradiça
que nem a hóstea da missa, servida em taças de prata
nos equilibra a balança, e o mundo pula e avança como bola colorida
e não nos enche a pança, não nos sara a ferida
aberta por esses ses da nossa peregrinação.
Basta de ésses!
O ésse é de servil!
o ésse é de sorumbático!
o ésse é de salsada!
o ésse é de salafrário!
o ésse não pode morrer solteiro!
Eu não gosto dos ésses, abaixo os ésses de saloíce, do seguidismo, dos salamaleques
mas eu gosto da Ofia Mello Breyner, mas não gosto do Sousa, o Tavares
mas eu gosto da Ofia Loren, do José Aramago, só não gosto dos ésses.
O ésse vem no fim do abecedário, gosta de plurais, eu sou mais singular, sou mais um por todos
mesmo que um Benfica em mó de baixo
não gosto do ésse no todos por um, porque me cheira a todos por um tacho
não gosto do ésse de Sporting
não gosto do ésse da Sportv
não gosto das tv's que nos servem
não gostos dos salários que nos servem.
Abaixo os ésses e os ses!
Não gosto do S no início da palavra, não gosto do S no fim da palavra
Não gosto de Sócrates, o antigo, porque tem dois ésses
não gosto de Sócrates, o moderno, porque não gosto que me socratizem
porque tem dois ésses, porque de só, só gosto do António Nobre.
Abaixo o S
abaixo o so de solidão, de sofismas, de sofrimento
abaixo os ésses de safardanas, de sacripantas, de sidosos
porque o S é de sacana, de senil, é de senhor doutor
porque é também serpenteante, tem curvas, contra-curvas, ravinas
percorre o sul, o sotavento. É o princípio dos sismos, acaba em tempestades
temos que abolir o S do nosso vocabulário, já!
Para que precisamos do S em S. Bento? e a segurança social é melhor com dois ésses?
e a saúde com S?
Não aos S, aos SS, aos sistemas, aos esquemas
aos emblemas.
Abaixo o S! Abaixo o sa, o sal, o sala, o Salazar
Abaixo o só, o sozinho, o sozista, o Sócrates, os socráticos e os socreteiros!
Porque o António era um homem só, porque quem mandava era um homem só, porque isolados éramos um país só, em redoma periclitante.
porque não gosto de gente arrogante, nem de gente mareante, que navega
em naus douradas, enquanto a nossa pesca se afunda.
Basta de ésses.
Fora com os ésses de mentirosos
fora com os ésses de sabichões, de licenciados até ver, de doutores
de contadores de histórias, de aldrabões.
Fora com o sopro dourado dos apitos, com o sopro estrangulado da casa pia.
A verdade não tem ésse! a justiça não tem ésse!
Que os ésses sejam julgados no Rossio.
Fora com os ésses de senadores
abaixo as comissões, as assembleias, os colóquios
abaixo os ilusionistas, os malabaristas
Portugal não tem ésse
o povo não tem ésse
mas Sócrates tem
fora com os pinóquios, já!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

POEMA CATORZE



Dentro de nós ainda mora aquela arte de navegar
em mares tumultuosos e arribar a bom porto
POEMA TREZE




Quantas vezes as tempestades
irromperam nos castelos das nossas naus
varrendo o convés da proa à ré
Adamastores em fúria tentando derrubar a marinhagem
e os homens aguentavam as ondas desciam as velas
expulsavam as marés
e ressurgiam na crista dos oceanos vitoriosos

Quantas vezes as intempéries
percorrem hoje os frágeis fios que tecem
as velas do nosso descontentamento
são vampiros disfarçados de adamastores
que tentam afundar as nossas caravelas
neste oceano de desigualdades
POEMA DOZE




Amassamos o trigo que não temos
mas não queremos comer o pão que o diabo amassou.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

POEMA ONZE




não sei se teria espelho na altura, nem sequer, se o tivesse,
pudesse chegar a ele e ver a minha imagem refletida.
Como seria o meu sorriso olhando os meus caracóis loiros
que contemplo agora nesta fotografia a preto e branco corroída pela tempo.
Como seria o meu olhar, azul como o azul do rio que inundava as minhas brincadeiras,
quando a desgraça calava a vontade e desmoronava os sonhos.
Como seria o meu andar, quando o corpos inquinados de inquietudes
zarpavam mar adentro.
era menino eu sei, e não sabia nada.
Apenas ouvia a voz calada dos trabalhadores no bulício das tabernas
apenas sentia o tom agreste da miséria, gritada pelos homens
no silêncio da noite.
Era menino e nada sabia, e menino bebi palavras novas que mal podíamos soltar ao vento
eram palavras encarceradas, escondidas nas entrelinhas, dos livros passados de mão-em-mão
eram pássaros que esvoaçavam na primavera da minha vida.
Era menino e de nada sabendo, fui aprendendo.
Fui menino berço, menino escola, menino guerra.
Hoje, tenho espelho, mas tenho vergonha de me olhar nele
O meu olhar continua azul mas o rio onde me revejo não tem cor
o meu andar, é firme,mas o solo que eu piso é movediço
e os corpos mutilados, prenhes de promessas continuam a zarpar mar fora
e hoje eu sei tudo, nós sabemos tudo, mas engolimos o tom agreste da miséria
no bulício dos centros comerciais.
Não há hoje palavras escondidas nas entrelinhas, mas no silêncio das nossas noites agitadas
ainda há palavras encarceradas.
POEMA DEZ



não sei se foste anjo ou demónio
sei apenas
que o teu nome é António
POEMA NOVE




Somos um país a planar
à espera de um aeroporto para aterrar!
PINÓQUIOS




Somos um país de pinóquios, onde o primeiro frequentemente, mente, mente.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

POEMA OITO




Nasci ontem no fim duma catástrofe e no renascer duma nova era
era um menino que corria descalço sobre os picos da liberdade
mastigava o pão escuro das palavras que se adivinhavam turbulentas
bebia ávido o labirinto dos pensamentos.
Era um menino e já perscrutava a savana engolindo medos
tecendo desencontros, disparando vida.

Nasci ontem, outra vez em Abril, na aurora doutro destino
correndo calçado no tapete da liberdade
mastigando o sonho, largando ao vento palavras novas
bebendo esse néctar das promessas
continuando desesperadamente menino.

Nasci ontem sem ser rapaz, sem ser homem
continuo a ser menino, sem tempo, que o tempo o devorei
vorazmente, nessa bandeja de palavras gastas
com sabor a sonhos envelhecidos.

Gostaria de dizer que nasci hoje, mas já não há Abril que me prenhe
e se nascesse, seria outra vez menino
porque o meu país não cresceu.
POEMA SETE



Não tenho tempo nem época
essa ampulheta da vida esvaziou-se nesse deserto
que construí em dias contados
e se misturou nesses grãos de areia que teimam
em emperrar a engrenagem

E se a maresia me trouxe uma miragem
foram apenas imagens de um rio
que nunca chegou a ser mar
e se transformou em tempestades
que me delimitaram a viagem
FÁBULAS



Somos um país de fábulas, onde os animais até falam.

domingo, 6 de janeiro de 2008

POEMA SEIS




Caminhei por entre os vazios de Dezembro
moribundo de ideias
toldado pelas nuvens da hipocrisia
corri pelo tempo vertiginosamente sem pausas
mastigando essa ausência
do passado regorgito esse sonho castrador
de encontar a magia
do presente redefino as causas
e doravante dia por dia
tentarei decifrar o enigma do amor.
POEMA CINCO




Não é um poema que escrevo, é a vida.
Não são as palavras que dito, é o poema.
Não é o passado que sinto, é o país.
Não é o presente que vivo, é o futuro.
Palavra, poema, país
Vida, raíz profunda
Oh intransponível muro.

sábado, 5 de janeiro de 2008

O LIVRO TEMPO PER VERSO 3



Confesso que tive medo! Eram três da tarde e caminhei em passos apressados, fugindo à chuva, para a Galeria Artur Bual na Câmara Municipal da Amadora, onde estava previsto se realizar pelas 16 horas o lançamento do livro "Tempo per verso 3" da nossa tertúlia poética. E tive medo porque à chegada só encontrei os quatro elementos dos U'Tópicos, os jograis que iam dizer a nossa poesia, a Cecília Neves, responsável da Biblioteca Municipal, e mais dois ou três elementos da Tertúlia. Tive medo porque o evento já tinha sido marcado para outra data e desmarcado porque não tínhamos ainda o livro; porque os convites foram em cima da hora; porque com uma tarde chuvosa e as festas natalícias ainda frescas, as pessoas podiam não comparecer. Esta dúvida continuou tempo fora, mas perto da hora marcada, de repente, a sala começou a encher-se e foi necessário até recorrer a mais cadeiras para poder sentar toda a gente. Suspirei de alívio, eu e a Cecília Neves, pois para quem realiza o evento e para quem lança o livro é sempre penalizante ter uma casa vazia. Mas não, a sala encheu-se, (mais de cem pessoas) falou quem tinha de falar, disse poesia quem sabe do métier, e ficámos todos orgulhosos de ter realizado uma bonita sessão de poesia. Para a história deste nosso terceiro livro aqui ficam as palavras que, por motivos vários tive que dizer:


Boa tarde, agradeço a todos a vossa presença, e queria para começar, citar uma frase de José Carlos Ary dos Santos, retirada da canção "A desfolhada" interpretada pela Simone de Oliveira, " Quem faz um filho fá-lo por gosto". Ora este filho que aqui temos foi feito com muito carinho por este grupo de pais-avós que não desistem destes actos de amor. Mas foi uma gravidez dificil, num país onde se fecham maternidades e tudo se torna mais caro, não tivemos outra alternativa senão fazer nascer esta criança no outro lado da fronteira, em Espanha. Mas como diz o ditado "de Espanha nem bons ventos, nem bons casamentos" e neste caso, "nem bons ventos, nem bons nascimentos". Foi um parto dificil, com todas estas tecnologias modernas , passámos o tempo em telefonemas, em email's, em mensagens e o baptizado marcado para 15 de Dezembro, com tudo pronto e convites enviados. por questões técnicas o livro só chegou 3 dias depois da data. Foi um parto tirado a ferros , e como tal, deixou sequelas, pequenas é certo e por isso pedidos desculpas a todos. Este livro foi um trabalho de um ano de reuniões na Biblioteca Municipal e no restaurante "O Fernando", em que se tinha de fazer poesia subordinada a tema, mas no entanto penso que faltou um tema: "o imprevisto" não só pelo que se passou anteriormente mas também pelo telefonema que recebi ontem à noite onde me foi dito que "os padrinhos" que deviam de estar aqui no meu lugar a falar, estavam doentes e não podiam comparecer. Assim, fiquei com a criança nos braços, mas o baptizado vai continuar e por isso passo a palavra ao Manuel Diogo, que dirá algumas palavras e poesia também. Obrigado.
POEMA QUATRO




Um país não pode ser um manjar
para uma alcateia de lobos esfomeados
que se degladiam à beira da bandeja.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

POEMA TRÊS



Esta janela entreaberta que nos dão para espreitar
não é mais que uma sacada forrada de tijolo e argamassa
parede estanque que cerceia o olhar.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

PAI NATAL DOIS




Está ali naquela esquina, daquela rua ou noutra rua qualquer, é magro, esquelético, andrajoso. Na cabeça tráz um gorro vermelho com borla branca, na mão direita dois jornais enrolados e na esquerda um pacote de Teobar, tinto, para dar cor. Durante o dia acena aos automobilistas, ajeita-lhes os carros, "troce, troce" e já está e torce pela moedinha que a veia tarda em recompensa. Distribui sorrisos, ó chefe, ó chefe: muito agardecido; distribui palavrões a quem se nega. À noite corre à Cova da Moura ou ao bairro de Santa Filomena e derrete a colecta. A vida deste pai natal é uma droga!
PAI NATAL UM




Figura típica neste país, veste Armani, viaja em mercedes último modelo, não sorri e é arrogante.
É administrador ou gestor em várias empresas e distribui desemprego aos mais necessitados. Para os familiares e amigos não é parco e atribui mais-valias, subsidios e cartões de crédito com largura de mãos. Às vezes vai para os governos, outras vezes sai dos governos e governa-se. Não é governador, não é doutor e às vezes até nem é licenciado mas que diabo para ser pai natal é preciso é ter amigos.
POEMA DOIS




Naquela heróica e leda madrugada
em que nos libertámos dos demónios
e esventrámos os algozes
e escorraçámos os vampiros
nunca sonhámos
que seríamos um país de nada.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

UM POEMA POR DIA E NÃO SÓ




É este o meu desafio para este ano. Sentar-me aqui em frente do computador e escrever um poema, um pensamento ou uma frase por dia. Serei capaz? vontade não me falta, o pior é se a inspiração não aparece...


POEMA UM


Somos um país de marinheiros,
galgámos marés, ventos, controvérsias
navegámos em naus e caravelas
circundámos oceanos
amainámos iras e tempestades
destronámos tiranos
presenteámos reis e princesas
conquistámos reinos
ouro canela marfim
à sombra do nosso padrão.


Fomos descobridores
de mares e terras sem fim
fomos poetas cantámos amores
aportámos ao desconhecido
ganhámos um império
engolimos adamastores.



E hoje neste mar europa encapelado
naufragamos as naus
e as caravelas
destroçamos os mastros
enrolamos o cordame e as velas
inunda-se o porão
afunda-se a armada
somos um país em vão
somos um país em vão de escada.
JORGE PALMA




Foi o cantor que marcou os últimos meses de 2007, lançando um novo trabalho, do qual destaco a canção "Encosta-te a mim". Não sou grande fã de Jorge Palma, por vários motivos, mas reconheço a qualidade de algumas das suas músicas. Mas não posso deixar passar em claro este "Encosta-te a mim", especialmente quando ele diz "... chegado da guerra..." pois eu aqui interrogo-me e ouso perguntar : de que guerra é que chegaste Jorge Palma?
ANO NOVO DE 2008?



Ano novo, vida nova, país velho. Creio que é tempo de fazer um inventário do passado, activar o presente, programar o futuro. Mas não sei se seremos capazes. Este país é uma equação onde cabem (espertos ao quadrado vezes n "doutores" em titulo)+( x oportunistas incompetentes + y politicotes de encomenda) x ( subsidios + tachos + compadrios + corrupção + gabinetes + assessores + carros último modelo + cartões de crédito + prepotência) : ( x brandos costumes + n ignorantes + desemprego + inflação + impostos) = - 0. Seremos capazes de alterar este resultado? Claro, se eliminarmos a parcela dos brandos costumes.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

FELIZ NATAL



Parei a 7 de Dezembro. A poucos dias do Natal outras preocupações se manifestaram, embora o Natal tenha hoje outras motivações (erradamente) as correrias para as compras são uma loucura. O tempo passou e nem dei por isso, as mensagens e os emails foram muitos e nem sequer me lembrei que tinha o dever de desejar umas boas festas aqui no blogue. Ainda estamos a tempo e no tempo das festas aqui fica o meu desejo de um tempo novo, com felicidade e amor, com muita cor e poesia, com muitos projectos realizáveis, com sonhos das cores que a melhor paleta pode dar, com a vertigem duma vida nova para este ano de 2008 e para todos os outros que se seguirão.
Bem Hajam!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

CURSO DE POESIA



Terminou hoje o curso de poesia que o El Corte Inglés patrocinou. Foram 10 sessões informais nas quais o orientador do curso, José Fanha, dialogou com os presentes, no seu jeito peculiar, contou histórias, disse poesia como só ele sabe. Poemas e poetas galgaram as barreiras da nossa timidez, a poesia ganhou vida e voou no nosso imaginário. Fica no ar esta sensação de saber a pouco, mas fica a satisfação de termos conhecido novos interesses, novos poetas e um sem número de amantes da poesia com quem, de futuro, poderemos trocar experiências neste laboratório de palavras que é a poesia. Finalmente, um aplauso para os meus colegas de curso, que no fim aplaudiram o meu poema "O país das maravilhas 3" dito pelo José Fanha com a maestria que se lhe reconhece. Espero que no jantar de Janeiro possa ele dizer com tamanho brilho o "País das maravilhas 1" e o "País das maravilhas 2". Até lá.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

COLECTIVA DE ARTES PLÁSTICAS





A Galeria Artur Bual, na Amadora, organizou uma exposição colectiva de pintura com o título "Os Amantes do Chiado/Brasileira I" que abriu em 15 de Novembro e encerra a 9 de Dezembro de 2007. Esta exposição recria o ambiente do café "A Brasileira" onde durante dezenas de anos se juntaram poetas, pintores, jornalistas, escritores, que diariamente possibilitavam discussões, divergências e entendimentos entre várias camadas da intelectualidade da cidade de Lisboa. Esta exposição conta com obras de vários artistas plásticos portugueses que privaram "A Basileira". Vale a pena ver Almada negreiros, Cruzeiro Seixas, Artur Bual, Gargaleiro entre outros.