domingo, 10 de junho de 2012

EUROPEU DE FUTEBOL

Começou o europeu e Portugal voltou ao tempo da vitórias morais.  A nossa equipa não fez em 70 minutos o que conseguiu nos últimos 20. Não podemos jogar para empatar. Sempre e contra qualquer equipa temos que ir para a vitória. Ficamos à espera de quarta-feira para ver se houve ou não tiroliroliro, trólaró ou festança a mais.




segunda-feira, 21 de maio de 2012

TRIBUTO A PAUL MC CARTNEY

Espectacular o vídeo que está a circular no youtube sobre a gala que presta homenagem  a este beatle. O Kennedy Center encheu-se para ouvir grandes nomes da música interpretarem temas dos Beatles. I say hello. let it be, penny lane e outros êxitos foram cantados por nomes como Nora Jones, Steve Tyler's ou James Taylor. Na tribuna de honra o presidente Obama e esposa dançaram ao som dos Beatles.

sábado, 5 de maio de 2012

HOMENAGEM À PROFESSORA IDALINA


Quero aqui prestar homenagem à minha professora da 4ª classe, que faleceu em Abril deste ano. Deste grupo apenas meia-dúzia prosseguiram os estudos e foi graças a ela,  que se dispôs graciosamente a preparar-me para o exame de admissão ao ciclo preparatório, que consegui ir para o Barreiro e frequentar o Curso Comercial. Este foi o tempo da meninada que usava bata, que brincava na rua, que respeitava os mais velhos e que sabiam a tabuada. Muito contribuíu para isso a professora Idalina. Que descanse em paz!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

OS TRÊS PINGOS


AI MAIO DO MEU CORAÇÃO


- Um governo sem um pingo de vergonha

- Um país com pingos de chuva

- O Zé povinho com um pingo-doce

quarta-feira, 25 de abril de 2012

25 DE ABRIL

Lembro hoje aqui, neste dia histórico, o BART 1924 e os camaradas que estiveram em Angola.

sábado, 21 de abril de 2012

RECORDAÇÕES...







Fui desencantar esta foto no baú das recordações. Centenas de fotografias moram em caixas arquivadoras à espera de serem colocadas em álbuns.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

FINALMENTE

Há muito que ando a falar das questões menores com que nos defrontamos no dia a dia. Finalmente alguém, na sua cidade, quer pôr cobro a isto. Estou a falar do presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, que quer estabelecer multas para quem cuspir para o chão, para os riscadores de paredes (que se intitulam "grafittis"), para os donos dos cãezinhos que andam por aí a dejectar as ruas e para outras situações de falta de civismo. Não era sem tempo e espero bem que outros presidentes e outras cidades sigam este exemplo. Diziam os ingleses dos portugueses, no livro de Vitorino Nemésio "Mau tempo no Canal": "estes portugueses ainda continuam a cuspir para o chão..." Isto no século dezanove...

domingo, 5 de fevereiro de 2012

QUINHENTOS

QUINHENTOS


são quinhentos os que partem todos os dias
são quinhentos aqueles que se fazem ao mar
são quinhentos que abrem hemorragias
num país que não pára de sangrar.

e esta sangria que teima em continuar
abrindo feridas em corpos desatentos
é mal que faz a barca naufragar
e levar para o fundo tantos quinhentos.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

FEIRA DA LADRA

Hoje fui à feira da ladra! há quanto tempo não percorria os caminhos que vão dar a esta tradicional feira lisboeta. As ruas pejadas de gente, os feirantes espalhados por todos os espaços imaginários, as bancadas com todas as "velharias" desordenadas pelas bancas, o chão de lençóis atapetado, cobertos de artigos novos e velhos, são o chamariz para quem procura a "tal" peça a preços irrisórios. A feira da ladra continua igual a si mesma. Notting hill é uma feira em Londres mas de uma só rua. A feira da ladra é uma feira de todos os espaços. Inigualável!





Feira da Ladra

sábado, 14 de janeiro de 2012

DIA 14, POEMA VINTE

VAMPIROS



tanto canto tanto mar
tantos vampiros tanta orgia tanto manjar
e nós
marinheiros
sem sabermos nadar.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

DIA 13, POEMA DEZANOVE

VOLTAR


Todas as cidades são rios que nos levam até ao mar
e do mar ao horizonte e do horizonte ao além
todos os rios são navios que vão pelos oceanos
todos os homens são marinheiros que não sabem navegar
todas as horas são dias todos os dias são anos
e nem todas as sementes voltarão à terra mãe.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

DIA ONZE, POEMA DEZOITO

MARINHEIROS



se formos todos marinheiros se em navios de breve esperança
navegarmos em tumultuosas marés
quem ficará para chorar a nossa ausência?

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

DIA DEZ, POEMA DEZASETE

QUE ILHAS TENS TU


que ilhas tens tu para me dar
que ilhas me dás para descobrir
se eu partir rio abaixo até à foz
se eu da foz me fizer até ao mar


fazer-me ao mundo sem ter lugar
olhar para trás e poder sentir
que havendo mar não cala a voz
das ilhas que vamos despertar.

DIA DEZ, POEMA DEZASSEIS

AINDA O MAR


cumpriu-se o mar de Pessoa, cumpriu-se de ti Sofia
esse mar novo que nos deste
que falta cumprir meu amor? se em nós o mar
é desafio ou fatalidade
se o destino é este fado património de nós
que nos tolhe ou desafia
e nos faz zarpar sem saber afinal
se vamos cumprir Portugal.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

DIA NOVE, POEMA QUINZE

CANTO CORAL


do coro dos pássaros solta-se o canto
que os peixes ouvem no seu coral
é a brisa leve que quebra o espanto
é o mar a madrugada o madrigal
que invade e suaviza o meu pranto.

domingo, 8 de janeiro de 2012

DIA OITO, POEMA QUATORZE

OS NOVOS DO RESTELO


estou sentado ali à beira do poema, que se faz rio ou mar
numa fronteira que não vislumbro
procuro desesperadamente os velhos do Restelo
quero saber se o mar tem volta
quero saber se os navios ou naus ou caravelas
têm o mesmo destino que os seus pensamentos
mas ninguém me ouve ninguém me responde
só os novos de S.Bento me apontam o caminho
lá do alto do seu castelo.

sábado, 7 de janeiro de 2012

DIA SETE, POEMA TREZE

NAVEGAR


Há um farol que me indica, vai por ali, que aqui não tens mais cais para atracar
e eu subo ao cesto da gávea tentando descortinar por entre o nevoeiro o barlavento.

Range o cabo da amarra, solta-se a mezena, não há molinete que segure a vela
e eu, agora no convés, procuro o leme que leve a bom porto a caravela.

DIA SETE, POEMA DOZE

GEOMETRICAMENTE


por mares geometricamente navegados
já não vamos dar mundos ao mundo
vamos por esses oceanos bolinados
tentar que a nau não vá ao fundo.

e se os nossos antepassados arribaram a porto seguro
nós, navegando, alteramos a geometria do futuro.

DIA SEIS, POEMA ONZE

BARCO DO TEMPO


Não vale a pena medir as tempestades
que o barco do tempo que não temos terá que navegar nelas.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

DIA CINCO, POEMA DEZ

NÃO SEI DE COR AS ILHAS


Já não sei quantas ilhas temos mas sei do mar que as rodeia
sei dos ventos e tempestades que por entre escarpas de silêncios
fustigam os rostos comiserados de quem não quer partir.

Já não sei quantos sorrisos temos mas sei desta teia
que nos envolve e força a ausência
coarctando-nos o amanhã que há-de vir.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

DIA QUATRO, POEMA NOVE

CORAIS


se nas águas das ilhas houver corais
eu gostava de mergulhar no ventre do mar
e saber dos peixes porque é que tu
que partiste noutras marés
estás agora a voltar.

DIA QUATRO, POEMA OITO

EMIGRANTE


será exílio ou oportunidade esta geografia que nos dão
cobrindo o vazio que nos resta na terra mãe
em dia de mar novo dividir o tempo em navegação
partir como colonizador e chegar como refém
a terras onde outrora erigimos um padrão.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

DIA TRÊS, POEMA SETE

ESTE MAR VELHO


este mar velho que inundou as nossas vidas
era um jardim proibido de rostos entristecidos
moldados a fogo pelo tempo e pelas ânsias vividas
num caldeirão de tumultos repetidos.


será que este mar velho que não queremos
que banha as praias do nosso querer
e se enrola traiçoeiro no extenso areal
pode um dia sem nós nos apercebermos
agonizar e pouco a pouco morrer
fazendo nascer um mar novo real.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

DIA DOIS, POEMA SEIS

AS COISAS


das coisas os nomes vamos esquecendo
e tu meu amor esqueceste o mar
mesmo quando o mar morrendo
nos faz chorando, zarpar.

outra vez os nomes das coisas do mar
outra vez as coisas, as naus, as velas
outra vez marinheiros a navegar
mas agora outros nomes têm elas.

Agora os marinheiros voam pelo ar
e aterram os nomes das coisas no chão
porque tu meu amor esqueceste o mar
e naufragas nas marés da ilusão.

DIA DOIS, POEMA CINCO

O NOME DE OUTRAS COISAS


descobrir outra revolução, quando o teu corpo jaz aqui e arrefece
é como mergulhar no oceano sem saber nadar e no entanto
as areias inquinadas que o mar beija e o sol aquece
são as esperanças que se estendem pelo manto
e se espraiam pelo sonho que não se desvanece.

DIA DOIS, POEMA QUATRO

GEOGRAFIA


Sentem-se as areias movediças debaixo das estruturas
o esqueleto balança prestes a se afundar e não sei
se esta dança de visões apocalípticas futuras
sejam no final a realidade que no futuro encontrarei.

A nossa geografia desfez-se para nosso desencanto
de padrão em padrão o mar não é mais nosso
de Camões aos lusíadas não há mais canto
do império que éramos não somos mais que um esboço.

Somos do império restante este pequeno nada
mortalmente encostados ao sul, globalizados
somos apenas marinheiros de palavra acabada
e acabaremos colonizadores escravizados.

domingo, 1 de janeiro de 2012

DIA UM, POEMA TRÊS

SILÊNCIO


Agora que os silêncios se tornam menos solitários
e se ouve ao longe o lento borbulhar das marés
é tempo de rios e ribeiros serem solidários
e desaguarem tumultuosos a nossos pés.

DIA UM, POEMA DOIS

NOITE


que poderei eu ver nesta noite que nos cobre?
que poderei eu sentir debaixo desse negro manto?
a não ser uma pequena luz ténue e pobre
que ao anoitecer me quebra o pranto.

Quando à noite as ruas e vielas escurecem
e o sonho abre oceanos de lembranças
as palavras nascem em mim, amadurecem
e voam pelos céus velozes como lanças.

DIA UM

POEMA PARA SOFIA


Na tua geografia do mar plantaste corais e medusas e anémonas
deste um mar novo a um país de navegações e
no tempo dividido deste o nome às coisas.

Estamos nesta ilha de navegadores e em dia de mar
não sabemos se vamos naufragar.

sábado, 31 de dezembro de 2011

ANO NOVO, VIDA NOVA

Aqui fica a esperança, só a esperança, de que o novo ano não seja tão mau como se perspectiva. Este país de marinheiros navega em águas turbulentas e não se vislumbra terra à vista. É preciso segurar a nau, içar as velas, bombear a água para fora e zarpar com rumo certo. Já fomos imperadores no mundo, percorremos mares e oceanos, fixámos padrões em terras distantes, será que em terras de Afonso Henriques não conseguimos erguer a nossa bandeira? UM BOM ANO PARA TODOS!

REVISTA DO ANO

O MELHOR DO ANO:

- O casamento do João Pedro em Julho de 2011
- A exposição colectiva, "Diálogo de gerações" com a Rita, o João, a Matilde e o Gustavo.

O PIOR DO ANO:

Os partidos, os políticos, os economistas e toda a cáfila de fazedores de opinião, que dizendo que sabem tudo, afinal não sabem nada e deixaram este país para além do imaginável.

domingo, 25 de dezembro de 2011

EXPOSIÇÃO

Esta exposição encontra-se patente na Biblioteca Piteira Santos, na cidade da Amadora e situa-se junto à Academia Militar. O horário é das 10.oo às 18.00 todos os dias menos ao Domingo.

EXPOSIÇÃO

Aqui fica o horário da exposição, que junta três gerações de artistas plásticos da mesma família. A não perder até 17 de Janeiro de 2012.

OS REIS MAGOS E A TRÓIKA

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEivmeZ9tA7YUuJiLEaKjeN87B3SW2j7ziR61sxP3lHzVeMiEf6_UtRbcObtkVkMHcffZtyx5VX57o9OsBej-H7k2msrsC-2a-YtageaU-alN1WXyp_IpdR3voqnwleBgx5Azbdj/s1600/reis+magos.jpg

Diz a lenda que três reis magos, montados em camelos, foram a Belém levar ao menino, o ouro que representava a realeza, o incenso que representava a fé e a mirra que era uma resina anti-séptica.

Diz o passado recente que três subalternos tróikianos, montados em audis, bmw e mercedes, passaram por Ajuda e Belém e aterraram no Terreiro do Paço para nos contar o ouro, restringir a fé e sedar com mirra.


Diz a realidade que o rei mago Gaspar, montado em nós, camelos, nos anda a gamar o ouro, a lançar fumaça para os olhos ( matando a fé e a esperança) e a fazer-nos mirrar, intoxicando-nos com a mirra (leia-se conversa da treta) esse produto resinoso e anti-séptico que serve para embalsamar o zé.








VOU EMIGRAR!

Vou para fora, cá dentro! Vou emigrar deste país da treta, destes políticos de meia-laranja, sabichões de meia-tijela, que prometem e não cumprem (ao povo) e cumprem o que os outros ordenam. Vou emigrar desta gente que só agora "cantam" o que há muito nós andamos a "cantar". Porque chegámos aqui? Com tantos doutores, sabedores e fazedores de verdades, o que fizeram? o que previram? Meus queridos, depois de sair a lotaria, também eu sei os números. Isto já não vai com palavras mansas, precisamos de uma revolução de outras palavras, precisamos da palavra das mulheres, dos reformados, da classe média. Temos que dizer não a esta classe política. Querem que nós emigremos, pois eu digo: imigremos!

É NATAL

Há quase dois meses que não escrevo uma palavra neste blogue. Não sei bem porquê. Talvez porque a vida de um reformado é, ao contrário do que muita gente pensa, uma vida agitada, cheia de pequenos nadas, que por portas e travessas preenchem os minutos preciosos dessa vida. Talvez porque os dias correm céleres, sem aviso do tempo percorrido e assim, galgando minutos e horas a velocidades estonteantes esmagam os afazeres deixando um rasto de saber a pouco. Mas apesar de tudo, viva o tempo, o que já percorremos e o que falta percorrer. Mais dias virão e com eles, as palavras, os gestos, os actos. Boas festas e bom ano!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

OH SE IMAGINAMOS...



Imaginem
00h30m
Imaginem que todos os gestores públicos das 77 empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados. Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação.
Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento.

Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas.

Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado.

Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público.

Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar.

Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês. Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência.

Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas.

Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam.

Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares.

Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas.

Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde.

Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros.

Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada.

Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido.

Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.

Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas.

Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo.
Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos.
Imaginem que país seremos se não o fizermos.

Eça escreveu sobre os dias de hoje. Já lá vão mais de 100 anos


Conhecido pelo realismo da palavra, Eça de Queirós versou sobre um país só comparável à Grécia, nas "Farpas" de 1872. Mais de 100 anos depois, a Renascença encontrou "queirosianos" num espaço que o próprio escritor frequentou e foi tentar perceber, com Eça como mote, o que mudou em Portugal.












Há um "cliché" que versa sobre as palavras e que diz que "há frases sempre actuais". Quando se espreita as páginas escritas por Eça de Queirós há mais de 100 anos, percebe-se que a actualidade é um tempo que se estende por vários séculos.


"Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma decadência de espírito", escreveu Eça nas "Farpas", em 1872. Fora do contexto, até pode parecer que foi pensado para os dias de hoje.

“Se lermos o Eça neste momento, verificamos que algumas páginas parecem completamente actuais. Uma crítica muito grande às elites e à sua debilidade, uma incapacidade total de sermos respeitados internacionalmente, um desprestígio internacional que só perde para a Grécia", diz à Renascença o advogado Pedro Rebelo de Sousa, que frequenta regularmente jantares "queirosianos" no Grémio Literário de Lisboa. Curiosamente, o mesmo Grémio que Eça costumava frequentar.

Além da ponte que estabeleceu com a Grécia, que é mais actual que nunca, Eça também escreveu sobre o receio de uma crise perene. “De sorte que esta crise me parece a pior - e sem cura”, lê-se numa correspondência do escritor, datada de 1891.

O actual embaixador de Portugal em Paris, que também frequenta os encontros no Grémio, não tem dúvidas. “Há muitas coisas que ele dizia da sociedade portuguesa do seu tempo que aplicaria à sociedade hoje”, refere Francisco Seixas da Costa.

“O Eça era um homem hipercrítico em relação a Portugal e esse hipercriticismo traduzia muito do que era o seu amor a um certo Portugal”, prossegue o embaixador. “O Portugal em crise era um pouco um Portugal que ele sofria...Se fosse vivo hoje, Eça teria alguns adjectivos que ficariam famosos na nossa imprensa”, observa o Francisco Seixas da Costa.

O elemento trágico
Portugal mudou significativamente desde que Eça esreveu "As Farpas"? O embaixador de Portugal em Paris divide o seu raciocínio em duas metades: há elemento trágico e um vislumbre optimista.

“O Eça nasceu há 165 anos e Portugal é um país que manifestamente, em nível de vida, melhorou bastante”, começa por dizer Francisco Seixas da Costa. “Acontece que Portugal ainda não se libertou de um elemento que é quase endémico nos seus ciclos - a emigração”, constata o embaixador.

“A emigração é um elemento trágico para um país”, acrescenta Francisco Seixas da Costa. “É a prova provada de que um país não conseguiu encontrar para os seus cidadãos soluções de vida dentro da sociedade”, argumenta.

Continuar a ser Portugal
Homem dos dias de hoje, o escritor Miguel Sousa Tavares cruzou-se com a Renascença no encontro do Grémio. Quando recorda o que Eça escreveu sobre a sociedade portuguesa de hoje, conclui que afinal parece que não se estava assim tão mal.

“O Eça seria talvez mais cáustico do que nós ainda somos e isto é um factor de optimismo - para Eça, Portugal há 100 anos não tinha futuro e nós ainda aqui estamos. Portanto, talvez continuemos”, diz Miguel Sousa Tavares.

Para o embaixador do Brasil em Portugal, Eça faz parte da estirpe de escritores que são autores de todos os tempos, de todas as eras. Mário Vilalva fez parte do painel que debateu há dias, no Grémio Literário de Lisboa, o escritor português.

"Eça e a sua obra são absolutamente intemporais, ou seja, podem ser vistos em qualquer um dos tempos e podem ser comparados com os tempos em que estamos vivendo no dia de hoje”, sustenta Mário Vilalva.

O embaixador brasileiro em Portugal sublinha ainda que Eça escreveu também sobre o que se encontra no lado de lá do Atlântico. "Os 'tipos' [sobre os quais] Eça de Queirós [escreveu] também poderiam ser encontrados no Brasil com muita facilidade, talvez até em mais quantidade - é muito actual."

As notícias exageradas da morte de Portugal
E hoje, como seria a análise do escritor de “Os Maias” e de “A Cidade e as Serras” a Portugal? Mariana Eça de Queirós olha para o busto do seu bisavô no bar do Grémio e responde convictamente que “veria da mesma maneira que via antigamente”.

“De uma forma crítica, uma crítica construtiva, porque não era propriamente fazer troça dos portugueses, nem falar mal”, assegura. “Era no sentido de irritação, pelo facto de os portugueses não serem mais evoluídos do que eram e do que são”.

Para Pedro Rebelo de Sousa, não é bem assim. “O mundo do Eça era o de um país com profundos atrasos e hoje Portugal, numa crise financeira, é um país diferente”, diz.

Miguel Sousa Tavares mantém a tónica optimista. "Mudou muita coisa, as situações não são comparáveis. Só espero que hoje, como então, as notícias da morte de Portugal sejam exageradas."

E sobre a crise financeira, o que teria Eça de Queirós a dizer? Pelo menos sabe-se o que pensava em 1867, num artigo publicado no "Distrito de Évora": "Hoje, que tanto se fala em crise, quem não vê que, por toda a Europa, uma crise financeira está minando as nacionalidades? É disso que há-de vir a dissolução".

Mas Eça também era um optimista. "Quando os meios faltarem e um dia se perderem as fortunas nacionais, o regime estabelecido cairá para deixar o campo livre ao novo mundo económico."



sábado, 22 de outubro de 2011

ENTÃO E O POVO, PÁ?

Estão a matar os ditadores, porque estavam a "lixar" o povo, ok!
e então os "democratas" que têm enterrado este país?

sábado, 17 de setembro de 2011

BART 1924

Hoje foi o dia do almoço convívio dos camaradas da Ccs do Bart 1924 que nos anos 1967 a 1969 acamparam por terras de Angola, nas povoações de Cuimba e Maquela do Zombo, hoje por hoje, cidades da nova Angola. O último convívio organizado por mim, pelo João Teixeira e pelo Cerejo foi em 2006 no CAS RUNA, centro de apoio social do exército, localizado em Runa-Torres Vedras. Agora, o Patrício, o Victor, e o Ângelo Almeida, tomaram a iniciativa e em menos de um mês puseram de pé esta almoço, realizado em Leiria, no restaurante a grelha. E em menos de nada, aí pelas dez da manhã começou a chegar a "malta" da velha guarda. Uns reconhecíveis, outros, mais gordos, outros carecas e muitos, muitos de cabelo branco a pintar as cabeças onde em tempos de guerra assentavam as boinas e os quiques esverdeados e também aquele pó encarniçado que "alcatroava" as picadas que nos levavam à guerra. Devido a algumas circunstâncias o camarada mais graduado neste convívio foi o Sargento-mor Carlos Silva. O sorja Silva, mecânico e baterista no nosso conjunto musical "os arietes", foi assim eleito o comandante desta "tropa", armada de garfo e faca, de dentes afiados e conversa fiada até às tantas da tarde.

sábado, 3 de setembro de 2011

PESSOAS DE QUEM EU GOSTO

Este país ainda tem gente de valor. De vez em quando aparecem na televisão e falam com aquela sabedoria dos homens de valor. Tenho referidos alguns aqui neste blog, hoje vou falar de um, que tenho acompanhado nalguns colóquios e conferências que o El Corte Inglés tem levado a efeito sobre diversos temas. António Barreto foi hoje falar a uma conferência de jovens do PSD, e mais uma vez demonstrou a sua sensatez na análise aos problemas do país. Vale a pena ouvir António Barreto, pena é que não o oiçam! Portugal tem homens capazes, mas infelizmente a maioria dos que nos governam são homens pequenos.

sábado, 27 de agosto de 2011

E O BURRO SOU EU?

luxo. Hábitos e extravagâncias da elite em Luanda
Têm muito dinheiro e gastam muito dinheiro. Em casas, barcos, aviões
particulares, compras e festas - por tudo e por nada. Sete mil euros numa noite?
É normal. Setecentos mil numa festa de anos? Também. Por Isabel Lacerda
COMO VIVEM os

RICOS
na cidade mais

cara
do mundo
A colecção de
casas, os bairros elitistas e a multidão de empregados
O carro circula na zona mais nobre da cidade. Bem no centro de Miramar, o condutor abranda, baixa um dos vidros escurecidos e anuncia-se. O segurança privado, armado com uma metralhadora AK47, repete o nome para um walkie-talkie. Dentro dos muros altos que rodeiam a moradia de sete quartos, alguém confirma que a pessoa é esperada e autoriza a entrada. Lá dentro estão outros cinco ou seis seguranças. E no acesso à garagem podem estar seis viaturas, todas de luxo, todas da casa, onde moram quatro pessoas.
A frota familiar inclui um BMW, um Audi, um Range Rover, entre outros carros topo de gama. Os automóveis podem ser conduzidos pelos proprietários ou por um dos cinco motoristas: um para o pai, outro para a mãe, um para os assuntos da casa, como levar as empregadas às compras, e dois para os filhos que ainda lá moram - os outros três já saíram de casa e têm carros e motoristas próprios.
A família não dispensa a ama, para quando os netos lá vão, e a equipa de empregados completa-se com um jardineiro, uma cozinheira, uma lavadeira para tratar da roupa e três mulheres para "limpar e arrumar", como explica o membro desta família que falou com a SÁBADO, mas prefere manter o anonimato. Por motivos de segurança e de discrição, admite apenas apresentar-se como filho de dois empresários, um dos quais ligado "ao partido" - o MPLA, evidentemente.
Esta família tem ainda duas casas em dois condomínios privados de luxo em Talatona, na zona sul de Luanda, mais uma na primeira linha de praia na ilha do Mussulo; outra em Lisboa (onde um dos filhos estudou), mais uma em Londres (onde estudou um segundo filho) e outra na África do Sul ("para fins-de-semana ou para quando vamos ao médico"). Somando, o pessoal de apoio mínimo necessário em cada uma (seguranças, empregadas, motoristas, conforme os casos), são "pelo menos 15 a 20 mil euros por mês", só para empregados.
Parece extraordinário, mas, em Luanda, não é. Mais casa, menos casa, mais carro, menos carro, mais empregado, menos empregado, este é apenas um de muitos exemplos de como vive a elite angolana na cidade mais cara do mundo. Pelo segundo ano consecutivo, Luanda ganhou a todas as outras 214 cidades avaliadas pela consultora Mercer, no maior estudo feito sobre o custo de vida para os trabalhadores estrangeiros. Ao contrário destes, os membros da alta sociedade não precisam de arrendar casa pelos preços exorbitantes praticados na capital angolana, mas compram-nas, várias, nas zonas mais exclusivas e caras.


LUANDA


ANGOLA TERRA PROMETIDA

Angola, Terra Prometida

ANGOLA

Angola de ontem , Angola de hoje. Durante a minha curta estadia de férias no Algarve, li o livro de Ana Sofia Fonseca "Angola terra prometida" que narra a vida que os portugueses deixaram. Nessa mesma semana saiu a revista Sábado, com o título " Luanda, a vida de luxo na cidade mais cara do mundo". Aconselho todos os meus amigos a lerem estes dois documentos. E como diria Scolari: e o burro sou eu?...

quinta-feira, 28 de julho de 2011

CUIMBA

Foi aqui nesta pequena aldeola que vivemos ano e meio. Um aquartelamento sem grades, sem redes, sem fronteiras. Três ou quatro casas coloniais, uns quantos barracões de chapa zincada e o capim por vedação. O mato por ali era mato. Ao longe a serra da Canda como cenário. A avenida da Liberdade atravessava o aquartelamento, com o seu pavimento de areia avermelhada, começando no términus da picada que vinha de S.Salvador e terminando na picada que seguia para Coma e Luvaca, poisos dos aquartelamentos que albergavam outros militares, outras companhias. Mais tarde o nosso batalhão construiu um aldeamento para os nativos. Hoje Cuimba está diferente, é uma vila com milhares de habitantes, vindos do Congo e de outra regiões, fugidos da guerra fraticida que se estabeleceu. Aquelas casas coloniais estão hoje destruídas e milhares de cubatas invadiram Cuimba. Espero publicar em breve imagens do google terra que permitem ver a realidade destra terra do norte de Angola.

CUIMBA 1967 /1968

http://www.prof2000.pt/users/secjeste/arkidigi/Angola/Cuimba/Cuimba004.jpg

terça-feira, 21 de junho de 2011

A GUERRA COLONIAL

Se tiverem o cuidado de ir à minha página do facebook constatarão que a foto que lá está, foi retirada duma fotografia do meu batalhão aquando da nossa partida para Angola. Ali, no cais da fundição em Santa Apolónia, nos alinhámos para as despedidas dos pais, dos familiares, dos amigos e também do solo pátrio. Como éramos jovens e como éramos todos bons rapazes... dali partimos em 1967 no navio "Niassa" e uns bons metros mais à frente no cais da Rocha de Conde de Óbidos, chegámos em 1969 a bordo do navio Império. Fomos à guerra e voltámos. Cinquenta anos passados do início das convulsões é bom lembrar que houve guerra, para o bem e para o mal, aconteceu, e atingiu grande parte da nossa juventude, homens e mulheres, mães e pais, namoradas que ficaram, esposas que partiram. Vamos lembrar.

O FACEBOOK E A GUERRA COLONIAL

Não tenho ligado muita importância ao facebook mas agora que um amigo meu "postou" fotografias da guerra colonial, tenho levado o tempo a comunicar com alguns camaradas que comigo estiveram em Angola. É o tempo de recordar e lembrar que estamos vivos. Agora, tenho que ir ao meu baú de recordações e vasculhar velhas fotos para colocar no face e no blog.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

50 ANOS DE GUERRA

Angola 1961.Faz agora cinquenta anos que começou a guerra no ultramar. Uma guerra esquecida por um país inteiro mas lembrada por aquela meia-dúzia que deu da sua juventude a sua quota-parte. Mas há quem queira relembrar a este país que houve uma guerra. De Coimbra veio o grito, do CES, Centro de Estudos Sociais, da Universidade, a acção. A pesquisa e a recolha de material poético para memória futura. Assim nasceu a "Antologia da memória poética da guerra colonial". Graças ao trabalho de uma vasta equipa chefiada pela Drª Margarida Ribeiro foi possível reunir centenas de poemas de guerra, seleccionados, tratados e inseridos nas 646 páginas que esta antologia nos oferece. É uma honra para mim estar representado nesta obra, ao lado de grandes vultos da poesia portuguesa, os que por lá andaram, os que por cá ficaram e os outros que fugiram da guerra. Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, Fernando Assis Pacheco, Fiama Pais Brandão,António Gedeão, Manuel Alegre, Jorge de Sena entre outros, são alguns dos poetas que marcam este livro. A minha memória também lá está.

domingo, 15 de maio de 2011

A MALTA DA AMADORA

A cidade da Amadora já não é o que era. Lá vai o tempo que o Recreios da Amadora, o ring de patinagem, a havaneza e até a Ninfa eram locais de "culto". Hoje, ciganos, pretos, romenos e outras etnias ocupam o centro da cidade. A gente da Amadora, aqueles que aqui nasceram, que frequentaram o Alexandre Herculano e o Mestre de Avis, partiram há muito para outros lugares. Foram à vida, mas ficou aquele resto de saudade, e de vez em quando dão um salto à infância. Não é de entranhar pois, que um grupo de carolas se lembre de fazer de quando em vez, um almoço, para juntar à mesma mesa "a malta" e reviver o passado, contar o presente e para todos eles, não pensar no futuro.
Foi o que aconteceu ontem, Sábado, num restaurante de Tala, ali para os lados de Belas, onde se reuniram mais de setenta destes pioneiros amadorenses. Um obrigado ao Félix, mais conhecido pelo pássaro, que teve esta trabalheira toda. Voltarei ao assunto.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

CORTES?

Toda a gente fala agora nos direitos adquiridos. Toda a gente fala mas sempre com o Zé na mira. Eu cá por mim não me importo desde que o corte seja para todos, assim:

- que tal termos só 150 deputados?
- que tal a reforma dos deputados ter eficiência apenas quando forem para a reforma com a mesma idade do Zé (65 anos) ?
- que tal toda a gente ter apenas 2 empregos?
- que tal acabarem com as secretárias, assessores, consultores e outros doutores?
- que tal refazerem as reformas daqueles meninos que têm várias, por terem trabalhado um ano ou dois em qualquer "boteco" e transformar esses grandes tachos, numa só reforma no fim do tempo limite de trabalho?
- que tal acabar com um sem número de fundações e institutos que só mamam à conta?
- que tal acabar com a renovação das ditas "bombas"?
- que tal acabar com os cartões de crédito, as ajudas de custo e outras tetas que só depauperam a "Cornélia"?


e não venham com a treta de que os direitos adquiridos são só para nos baixarem a reforma e tirar os 13º e 14º mês.

ELEIÇÕES

Não quero acreditar no dizem as sondagens! E se no dia da prova dos nove, Sócrates vier à tona, desde logo peço a minha demissão de português, vou filiar-me noutro país ou vou para a terra do meu pai, os Açores, faço uma revolução e torno o arquipélago independente! Este país tem o povo que merece.

sábado, 16 de abril de 2011

AI A CRISE

Uns quantos senhores pintam a manta
mas o que me surpreende e espanta
é que uns vão de férias p/manta rota
e os outros estão na banca rota

PORTUGAL

Há meses veio a drª Manuela Ferreira Leite dizer aos portugueses que era melhor fechar a democracia por seis meses e dar a volta a isto. Caíu o Carmo e a Trindade! Hoje, o ilustre advogado e manda- chuva da respectiva ordem, Marinho Pinto, vem dizer-nos que seria bom fechar a porta da democracia por um dia, fazendo greve às eleições. Fico à espera das respectivas reacções. No entanto, lá por cima, no assento etéreo, o senhor António deve estar a dar umas boas gargalhadas, ele que era um adepto incondicional da não-democracia.

terça-feira, 8 de março de 2011

A QUESTÃO CEREALÍFERA

Retirado do livro: Salazar, uma biografia política


"Portugal deveria tornar-se auto-suficiente em cereais, especialmente trigo, fazê-lo era um imperativo económico e financeiro"

" em todo o caso, toda a dissertação sugeria uma preferência pela agricultura como principal fonte de riqueza da economia portuguesa"

" Portugal não podia continuar a importar mais do que exportava. Portugal tinha de se manter a si próprio, produzindo aquilo que consumia e encontrando mercados para as suas exportações."

A QUESTÃO CEREALÍFERA

SIMPLESMENTE A LETRA "A"

O que mudou realmente no antes e depois de Abril foi efectivamente a letra "A"

antes: DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA

depois: ADEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA

AINDA ONTEM E HOJE

De ontem:
"Educar é dar a Deus bons cristãos, à sociedade cidadãos úteis, à família filhos ternos e pais exemplares"

De hoje:
"Educar é dar ao país ateus, à sociedade cidadãos inúteis, à família filhos drogados e pais separados"

segunda-feira, 7 de março de 2011

PORTUGAL DE ONTEM...

No Natal passado ofereceram-me um livro sobre um tal Salazar. Uma biografia de 800 páginas sobre a vida do senhor António, um pobre campónio, vindo das berças, formado em direito e que se transformou no sanguinário déspota que dirigiu este país durante umas largas dezenas de anos. agarrado ao poder diz-se, caíu da cadeira e ainda hoje se lhe atribui todos os males desta nação. Claro que hoje há por aí muito menino com tantos anos sentados na mesma cadeira e não a largam, nem caiem dela, deve ser da qualidade da madeira, é pau santo é o que é...
Deste livro ainda só li 150 páginas, mas já deu para poder dar umas dicas sobre o pensamento e obra do dito cujo.

"... íamos encontrar uma deficiente formação do português, e que portanto de pouco valeria mudar governos ou regimes, se não tratássemos em primeiro lugar de mudar os homens. Eram precisos homens: tornava-se mister educá-los."



Em 1909 o senhor António deu uma palestra pública onde expôs os seus pensamentos sobre o futuro de Portugal: " A chave era a educação e Desmolins o modelo a seguir. Já se tinha procedido a demasiadas reformas, centradas apenas nos conteúdos curriculares e não nos métodos de ensino. Os alunos saíam da escola totalmente impreparados para o mundo real e de pouco utilidade serviam ao País..."


onde é que eu já vi isto?


"Aquilo que Portugal precisava, para asseguara a sua sobrevivência, era de engenho, iniciativa e vontade de arriscar; precisava de empresários, industriais e agricultores empreendedores, e não de mais funcionários públicos..."

TODOS À MANIFESTAÇÃO

Sábado dia 12 lá estarei! Não sou rasca, não estou à rasca, mas estou de corpo e alma com a geração daqueles que não são rascas, que querem trabalho, que querem um futuro. Queremos mais empregos, mais justiça e menos recibos verdes.

PORTUGAL DE ONTEM E DE HOJE

Este Portugal que hoje se afunda, aos olhos de quem quer ver esta realidade, é um Portugal à rasca, não de uma geração rasca, mas de muito boa gente rasca, que não serve o país, servindo-se isso sim dele (de nós) carpindo mágoas e subsídios, gentalha que cospe no chão (e não só o pé-descalço) que risca paredes, que não trabalha, que assalta e rouba, que vive da noite, que vive da droga. Este Portugal que estende uma mão à moedinha para o pó e a outra à Europa para umas moedinhas para pagar juros, para pagar salários, para pagar aquilo que não produzimos. Este Portugal de corruptos, de gente fina que canta balelas na televisão, que pede sacrifícios, (mas para eles não) gente que passados quarenta anos ainda andam a gastar o ouro do senhor António, em especial um tal governador do banco de Portugal, hoje na Europa, tão bom gestor que trocou duzentas toneladas de ouro por divisas que hoje em comparação com o preço do ouro valem nicles. Este Portugal a quem esta nova geração à rasca vai presentear com uma mega manifestação de descontentamento, é um país sem futuro, vendido em brutais prestações mensais, de dívida pública. Gostaria de poder dizer que esta gente que hoje nos governa iria ser julgada no futuro pelo comportamento que têm tido em relação aos portugueses e à Pátria, mas não... irão escapar como a fina areia do Algarve por entre os dedos dos turistas que não vamos tendo.

sexta-feira, 4 de março de 2011

ORGULHO DE PAI


Eu disse que ía aproveitar estes 35 anos para fazer alguns agradecimentos.
E este não é menos especial que o anterior mas acarreta muito maior responsabilidade.
PAI é uma palavra com muita responsabilidade... e também é responsável pelo o que sou hoje no mundo e perante as pessoas.

A ti, conheço-te desde de sempre... desde o minuto 1 não deste tréguas e estiveste sempre presente. E quando digo sempre, é MESMO SEMPRE... não fossem episódios como levar-nos às audições para os Onda Choc, ir buscar-nos ao concerto dos Guns n' Roses (erámos 7 no carro.... ai jesus se a polícia nos apanhasse!!!) e comprar-me bilhetes a Alvalade no próprio dia do concerto dos Metallica e me deixares ir sozinha enquanto esperavas por mim lá fora... e podia continuar com muitos e muitos exemplos.

De ti acho que herdei a simpatia de conquistar as pessoas, ambos temos muita facilidade em fazer amizades, a capacidade do desenrascanço e procurar sempre uma saída mesmo quando a porta nos parece fechada, a ser ponderada, justa e muito pontual.

Mas também herdei coisas más e só assim de relançe me lembro do prolapso da válvula mitral, do ossinho irritante no peito do pé e da capacidade de stressar com coisas que não vão fazer mudar o mundo!!! :)

Sempre me deixaste ser quem sou, mas sei que sempre estiveste a olhar de muito perto, com mão pronta para me segurar em caso de queda.
De ti gostava de ter mais da tua sensibilidade, sensatez e sabedoria.
Tenho pena que agora te dediques tão pouco à escrita (ainda sonho ler o livro com a história da tua infância de que apenas vi 4 ou 5 páginas redigidas) e que o sonho de expôr esteja um pouco escondido algures que não consigo encontrar.

Neste dia destes meus 35 anos foste mais uma vez incansável. Ajudaste e tudo fizeste para que pudesse ter a festa que preparei com a Ana e tudo correu como planeado.
Muito OBRIGADA por este dia.
Muito OBRIGADA por tudo.

Sempre me disseram que sou a "Menina do Papá".
E então?
Serei a "Menina do Papá" por mais 35 anos se me deixares!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

ELEIÇÕES

Tinha escrito em tempos que não ia votar. Mas votei. Apenas por uma razão: não gosto de traidores!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

BALANÇO PARTE DOIS

J - JOÃO PEDRO - O filho, como sempre parte integrante deste balanço anual. Arquitecto a prazo neste país que despreza os jovens e explora-os.

K - KILAS O MAU DA FITA COM SÓCRATES NO PROTAGONISTA - O mau, o vilão, o pinóquio, o troca tintas, neste país das maravilhas o mal triunfa sempre.

L - LOURDES - A companheira sempre presente, nos bons e maus momentos.

M - MATILDE - Fez cinco anos e faz a alegria de todos. Um espanto!

N - NATAL - O tal que não foi, aquele que se misturou entre comprimidos e xaropes, mas não importa pois o natal é sempre que eu quizer.

O - OBRAS PÚBLICAS - Num país à beira do descalabro ainda há ministros que dizem que sim, que não, que talvez, tudo para bem das construtoras (ai Mota, Mota). A mim dava-me jeito um TGV na porcalhota e um aeroporto aqui para os lados da Cova da Moura...

P - PLANO INCLINADO - A luta de Medina Carreira e companhia. Mas o plano continua inclinado para o lado da mentira.

Q - QUEIJO - Aquilo que muitos portugueses comem em demasia para não se lembrarem das trapalhadas que os governos têm feito.

R - RITA - A filha, gestora de produtos, de equilíbrios, de ponderações.

S - SALAZAR - O homem das culpas todas. Também o livro que me ofereceram no natal, biografia dum pobretanas que morreu "rico" (que o diga o ouro do banco de Portugal).

T - TERTÚLIA - As duas, a da poesia que continua viva e a da "Ninfa" onde meis dúzia de carolas se juntam ao fim da tarde para divagarem sobre tudo e sobre nada.

U - UNIVERSIDADE - A sénior, onde as aulas de pintura e história de arte me fazem sentir vivo.

W - WIKILEAKS - A pura guerra das palavras, das verdades meio escondidas, das mentiras que não sonhávamos. A internet no seu melhor.

V - VAMPIROS - Pois é Zeca Afonso, os teus vampiros são hoje mais e mais refinados. Eles comem tudo e dão de comer aos amigos e não deixam nada. E o António é que era o malandro.

X - XELINDRÓ - O paraíso fiscal ou não para onde deviam de ir os nossos amigos vampiros.

Y - YES - Os yes man que estão sempre sempre ao lado da camarilha.

Z - ZÉ - O desgraçado, o burro de carga, o paga impostos, o desempregado, o f... e mal pago. Abre o olho Zé!

domingo, 9 de janeiro de 2011

O BALANÇO DE 2010 DE A a Z

Vou tentar lembrar-me dos acontecimentos que marcaram este ano passado de 2010.

A - AMADORA - O centro da cidade continua infelizmente abandonado pela Câmara. Sujo e escuro. Os roubos continuam e os romenos também. O bairro de Santa Filomena é outro cancro. O metro vai chegar à Reboleira, mas ao centro não! A estação da CP continua um caos, mas ninguém liga. Os amadorenses que se lixem.

B - BENFICA - A alegria de ser campeão ao fim de cinco anos.

C - CLARA - A Clarinha fez um ano e está reguila até mais não.

D - DOR - A que nos vai na alma por este Portugal sem tino ou destino.

E - EXPOSIÇÃO - A única que fiz este ano em Janeiro no restaurante Embaixada dos sabores.

F - FUTEBOL - Um desporto sem rei nem roque, ou por outra sem roque mas com rei, o rei das escutas, das trafulhices, dos favores, dos chocolatinhos, da fruta, da treta toda que enreda a bola cá do burgo.

G - GUERRA - A guerra da justiça, da Casa Pia, da operação furacão, da face oculta, do freeport e de todas as guerras em que as vitimas são sempre o mexilhão.

H - HUMANISMO - Um país sem humanismo não é país.

IMPOSTOS - O que ontem era mentira, infelizmente hoje é verdade.

O NATAL QUE NÃO TIVE

Não me lembro de um ano em que, tanta coisa havia para fazer e nada fiz, isto porque a tal gripe me levou à cama. A árvore de natal ficou na caixa, misturada com tantas outras no atelier, as prendas ficaram nas lojas à espera que pudesse lá ir, a ceia de natal resumiu-se a um jantar a três com antibióticos com fartura e outras drogas a acompanhar o bacalhau e o bolo rei. O almoço de natal em casa da Rita, com as netas de volta das prendas, ficou-se pela intenção. O jantar com a família do Seixal ficou esquecido mas as lembranças dos pastéis de massa tenra da Maria Antónia não. O fim de ano das passas e do champanhe ficou-se por tchim tchim com sumo de frutos silvestres, apenas com a "Maria" a meu lado como sempre. Se apelar à minha memória, não tenho lembrança de um ano assim.

PORQUE NÃO ESCREVO

Meus queridos amigos, estou desde o dia 10 de Dezembro com uma daquelas gripes que deitam abaixo qualquer bloguista que se preze. Volto agora para pôr a escrita em dia.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

AINDA A TERTÚLIA

MINISTÉRIO


Pessoa a presidente
a 1º ministro talvez Camões
na saúde Miguel Torga
Antero na pasta dos milhões.
António Nobre nos estrangeiros
Jorge de Sena na defesa
de Portugal
Cesário Eugénio e o O'neil
todos na mesma mesa
estoicamente sentados
defendendo o social.
Florbela na educação
na cultura eleita a Sofia
e na assembleia os deputados
todos todos
os amigos da poesia.

AMIGOS DA POESIA

O mote da poesia da nossa tertúlia era exactamente o título em epígrafe e meia hora antes da reunião saiu-me assim:

se os ventos vindos do mar
fossem palavras e maresias
ouviriam este sussurrar
dos amigos da poesia

sussurros revoltas e lamentos
do navegar do dia-a-dia
são tempestades são os ventos
dos amigos da poesia

e se tantos neste naufragar
discutem orçamentos economia
neste país prestes a afundar
são tão poucos os amigos da poesia.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

MARIO CESARINY

Thursday, November 26, 2009

MÁRIO CESARINY (LISBOA, 9 DE AGOSTO DE 1923 – LISBOA, 26 DE NOVEMBRO DE 2006)


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O Papá que veio do Leste, Mário Cesariny, 1980


PASTELARIA

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
– ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo:
fechar os olhos frente ao precipício e cair verticalmente no vício

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra


Mário Cesariny, in Nobílissima Visão, 1959

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

POEMA ESQUECIDO

Descobri este poema que ficou esquecido num pequeno caderno, algures numa gaveta. Vem hoje a lume e está actual.


Sei de um país moribundo mergulhado numa Europa
que tarda em fazer marear as pequenas naus
que nela se aventuraram.

Sei de um país inquinado por marés de incompetentes
que corrompem as amuradas de um barco
que zarpa sem destino.

Sei de um país angustiado que pergunta de boca-em-boca
que presente que futuro que destino.

E os ventos que nos fustigam não trazem novas
são rajadas de dúvidas são males e calamidades
que nos fazem vergar o pensamento
quebrar o corpo aniquilar a esperança.

Sei de um povo que já foi país
que foi para além do seu tamanho
ultrapassou oceanos e adamastores
desbravou savanas no fim do mundo
espalhou padrões em terras longínquas.

Sei de um povo que vive esmagado pelo martírio
encurralado nas tramas que os donos deste país
urdem e tecem no silêncio que o amordaça.

Sei de um povo que tarda em se levantar!

POESIA

A proposta da nossa tertúlia de poesia para esta quarta-feira era "a idade avançada", como deixei correr o tempo só hoje, uma hora antes peguei no tema. Saiu assim:


Já não tenho idade para mamar
pois a minha idade avançada
leva-me apenas a navegar
nas saudades da minha amada.

Mas senhor
porque me dais tanta dor
ao afundar esta nau
estando eu na amurada?

Eu sei, eu sei
que posso naufragar
mas apesar da idade avançada
tenho vela tenho verga
tenho pau
ainda posso remar.

Mas as crianças senhor
vivem de sonhos e não sonham
aonde vão parar
e sem remos e sem amor
têm um juro que lhes deixamos
e que mais tarde vão pagar.

Já não tenho idade para abocanhar
a doce teta, a maminha
desta "vaca" Pátria minha
que deu de mamar aos glutões.

Ah meu país doente
minha Pátria enamorada
quanto de nós precisas
(aqueles de idade avançada)
para que ergamos o país
levantemos a bandeira
e empunhando a espada
dar em alguns uns safanões.

ALMADA NEGREIROS NO SEU MELHOR

"As construções do estado multiplicam-se a olhos vistos, porém as paredes estão nuas como os seus muros, como um livro aberto sem nenhuma história para o povo ler e fixar"



Não me digas Almada, as grandes obras continuam? e o livro continua aberto sem histórias para contar? Onde raio é que eu já ouvi isto?!!

OUTRA VEZ ALMADA NEGREIROS

Últimatum futurista às gerações portuguesas do século XX:

"O povo completo é aquele que tiver reunido no seu máximo, todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem portugueses só vos faltam as qualidades!"

AINDA ALMADA NEGREIROS

"É preciso criar a Pátria portuguesa do século XX"


E a do século XXI?

REVIVER ALMADA NEGREIROS

"Uma geração que se deixa representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi. É um cóio de indigentes, de indignos e de cegos, é uma resma de charlatães e de vendidos e só pode parir abaixo de zero. Abaixo a geração! Morra o Dantas, morra. PIM!"

IN MANIFESTO ANTI-DANTAS

Será que este manifesto não tem cabimento noutra era e com outro Dantas?

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A PENA E A ARMA

Dizem que a pena é uma arma, que dispara palavras, que fere e mata com contundência. Às vezes penso que tenho pena que a minha pena não seja uma arma. Talvez a eficácia fosse maior.

SURREALISMO

Ah Portugal, Portugal
país das maravilhas
do mar e do sol
do cheiro a maresia
dos endémicos
sabedores e doutores
plateia de pindéricos
que falam de crise
dos suprimes
dos sistémicos
água dura
em pedra mole
que nos inunda
e afunda
com palpites e
contágios
que a guita não abunda
na nossa mão
mas na deles não
e falam como entendidos
posam com ar solene
nos nossos "times"
na televisão
falam de governo de salvação
uns sim outros não
querem sufrágios
porque são devotos
aos votos claro
porque os tachos
ai os tachos são tão lindos
os maganões
dão status dão milhões
e o zé preso aos
grilhões
dessa miséria secular
dá-lhes a teta
para mamar
nesta Cornélia em que este país
se transformou
antro de vampiragem
onde uns comem tudo
e os outros pagam
para salvar um país
que é cada vez mais uma miragem.

sábado, 6 de novembro de 2010

AINDA O EL CORTE INGLÈS

Estes cursos que o Âmbito Cultural do El Corte Inglès proporciona, não nos enriquecem apenas no aspecto cultural mas também no aspecto humano. Novos cursos, novos conhecimentos e novas amizades. Como sou um velho frequentador do El Corte Inglès e dos seus programas culturais, ganhei estima pela Susana Santos alma mater destas iniciativas e foi com agrado que na última aula de História de Portugal a ouvi referir-se ao meu livro "Éramos todos bons rapazes" e à ligação que tenho com o El Corte Inglès. Uma palavra para a Mariana Rodrigues, novata nestas andanças do âmbito e que se tem revelado uma simpatia para com os frequentadores dos cursos. Desta vez e ainda que sentado no mesmo lugar de sempre, fiquei rodeado pela Maria José, colega doutros cursos e pela Armanda Gonçalves estreante nestes ambientes mas que simpaticamente, nos deu a sua atenção.

COMEÇOU A NOVA ÉPOCA

Começou em Outubro a época cultural do El Corte Inglès. Dos cursos antigos faltava-me apenas o de Cinema, dado pelo António Pedro Vasconcelos mas porque as inscrições são às centenas só agora e depois de várias tentativas, consegui o desejado ingresso neste curso. Sempre gostei de cinema, vi centenas de filmes até hoje, pertenci a um cine clube, ajudei na programação dos filmes no cinema da minha cidade, numa história curiosa que um dia contarei. No entanto hoje, por razões várias, o meu tempo de cinéfilo resume aos filmes que compro ou vejo na televisão. Raramente vou a uma sala, porque nada é como dantes. Detesto as pipocas, as salas pequenas, os filmes sem intervalo e sobretudo a poluição sonora que debitam na amostragem dos filmes. Mas cinema é cinema e foi bom ouvir o António Pedro Vasconcelos, foi bom reviver pedaços de antigos filmes que marcaram a minha juventude, foi bom conviver com uma plateia que tem os mesmos sentimentos para com o cinema. Mas a minha participação nesta época do âmbito Cultural não se ficou por aqui, pois começou um curso novo de História de Portugal para o qual consegui por via de uma desistência, um lugarzinho ao sol, para ouvir e relembrar a nossa história, tão rica (e pobre...) de quase novecentos anos de vida. Quanto deste Portugal passado está hoje presente nestes discursos de hoje. Novecentos anos de história e não aprendemos nada, repetimos os mesmos erros, dizemos as mesmas palavras, mergulhamos no mesmo abismo. Foram reis e princesas, foram nobres e burgueses, hoje são doutores e ministros, no mesmo tabuleiro, no mesmo mar de enganos, ludibriando, corrompendo. E o Zé meu Deus e o Zé?

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A HISTÓRIA DE UMA TELEFONIA

A Rosalina morreu há alguns anos, Arlindo tinha partido mais cedo e no rescaldo das "grandes" heranças materiais que nos legaram quis eu para mim, apenas duas coisas: Um velho jarro de vidro azul, que jazia no velho aparador da sala do número 48 da rua Vasco da Gama, berço e pátria duma infância e juventude que douraram a minha caminhada, regida sempre pelos "outras heranças" que eles me deram: Deus, Pátria, Família. Aqui não há saudosismos nem Salazares! Deus, porque me encaminharam na defesa do bem, me integraram na fé cristã. Pátria, porque me apontaram o sentido da responsabilidade e a defesa do bem comum. Família, porque me ensinaram os valores cívicos para com a sociedade, do respeito pela irmandade, da obediência aos mais velhos. A segunda herança material que tive, foi uma telefonia, velha e desgastada pelo tempo, carcomida pela idade, que jazia queda e muda numa prateleira que Arlindo cravara na parede da cozinha, junto ao velho aparador. Desde os meus cinco, seis anos a magia e o sortilégio daquela pequena caixa varreram o meu crescimento. A minha primeira lembrança vem dos anos quarenta, quando no após guerra as sirenes tocavam pela noite e os holofotes percorriam os céus procurando aviões inimigos e todas as luzes se apagavam nas pequenas casas e os nossos olhos perscrutavam o vazio da escuridão. Era nessa altura que Arlindo ligava a telefonia e sintonizava a rádio Moscovo, que falava da luta do operariado, do fascismo do regime, da glória do comunismo. A família em surdina, sentava-se em redor do aparelho e escutava a voz da esperança. Depois noutras ocasiões a Emissora Nacional lançava, em programas do regime o slogan: Rádio Moscovo não fala verdade. Era a informação e a contra informação, era a defesa do regime do estado novo e e o ataque feroz das ideias comunistas. Na minha cabeça a informação ia-se acumulando. Noutras alturas Rosalina reunia a vizinhança na cozinha, para depois do almoço ouvirem o folhetim do Tide, episódios rádiofónicos a que chamávamos "a filha da coxinha" e que fazia chorar o mulherio levado pelas desgraças dos personagens. Eram os anos gloriosos da rádio: os parodiantes de Lisboa, os folhetins, o teatro declamado, a música rock em programas que me levavam as tardes de sábado de ouvido colado à telefonia. E almoçávamos ao som das notícias, e dançávamos ao som da música e ouvíamos os relatos do futebol e do hóquei em patins nos anos de ouro das selecções nacionais. E era o Artur Agostinho e o Amadeu José de Freitas que nos entravam casa dentro. E os discos pedidos e os programas de madrugada. E fomos crescendo e fomos à guerra e a telefonia sempre ali, dando notícias fazendo companhia. E casámos e partimos para outras paragens e a telefonia sempre lá, no mesmo sitio. E o Arlindo morreu e a Rosalina morreu e a telefonia morreu com eles, mas ficou lá, na mesma parede. Ao fim de mais de sessenta anos também partiu, veio ter comigo, ficou ali na minha sala, muda, mas não esquecida. Um dia, perto do Natal, peguei nela dei-lhe "banho", maquilhei-a, "vestia-a" com um papel festivo, e levei-a para a ceia de Natal na casa da Rita. Foi a minha prenda. E ali está na sala da Rita e do Gustavo, continua muda, mas se falasse quantas mais histórias ela não contaria?

PS. O Arlindo e a Rosalina eram como é óbvio os meus pais e foram os grandes alicerces da minha vida. A telefonia, que morreu num pequeno curto-circuito, foi parte importante da minha vida.

sábado, 9 de outubro de 2010

JUCA CHAVES E A CANÇÃO DO PORTA-AVIÕES

Brasil já vai a guerra, comprou um porta-avioes
um viva pra inglaterra de oitenta e dois bilhões
ahhhh! mas que ladrões

comenta o zé povinho,
governo varonil,
coitado coitadinho,
do banco do brasil
há há, quase faliu.

a classe proletária
na certa comeria
com a verba gasta diaria
em tal quinquilharia
sem serventia.

alguns bons idiotas,
aplaudem a medida,
e o povo sem comida,
escuta as tais lorotas
dos patriotas.

porém há uma peninha
de quem é o porta avião
é meu diz a marinha,
é meu diz a aviação
ahhhh! revolução!

Brasil, terra adorada
comprou um porta aviões
oitenta e dois bilhões
Brasil, oh pátria amada,
que palhaçada.

PORTUGAL- UMA BARRACA COM UM SUBMARINO À PORTA

Infelizmente não vi a entrevista que Frei Fernando Ventura deu na Sic Notícias há uns dias atrás. Mas felizmente que um amigo me enviou por email esse pequeno momento que todos os portugueses deveriam ver. Não conheço Frei Ventura, mas o seu discurso encantou-me. Falou da crise, de Portugal, dos portugueses, com uma clarividência fora do comum. Este país está no fundo, e não se vislumbra qualquer sinal, qualquer escada a que possamos deitar a mão. A classe política pouco rica de ideias mas rica noutras coisas, os ricos vêm de mansinho dizer que não são eles que têm de pagar a factura, os sindicatos querem aumentos e querem greves, os economistas vêm uns atrás dos outros às televisões e outros orgãos de comunicação dar uns bitaites. E o Zé? o Zé aguenta, mas já não sei até quando. Frei Ventura falou de tudo isto e muito mais. Há muitos anos Juca Chaves, um cantor popular do Brasil, fez uma canção sobre a miséria do seu país e do porta-aviões que os nossos irmão brasucas compraram para... nada. Frei Ventura lançou o mote: Portugal uma barraca com um submarino à porta. Quem se atreve a escrever uma canção?

terça-feira, 31 de agosto de 2010

CACETEIROS

O sacristão do costume, o tal que foi condenado pelo apito dourado, veio a lume dizer que tinham ganho a uns caceteiros. Além de outras coisas que não tem o tal senhor tem memória muito curta, pois de caceteiros devia ele perceber bem, já que na sua equipa fizeram escola : os Rodolfos, os Paulinhos Santos, os Andrés, os Brunos Alves, os Celsos, os Geraldões, enfim já para não ir mais atrás. Ainda não percebi porque é que gente desta ainda anda no futebol e tenha ainda quem os escute e dê os amen.

LIGA DE FUTEBOL

Começou bem o campeonato, no Naval-Porto foi o que se viu, esta semana no Rio-Ave-Porto a mesma para não variar o mesmo bodo aos ricos, no Braga-Maritimo tudo a norte, no Naval-Sporting. outra roubalheira, só o Benfica é que é beneficiado (??!) Académica e Nacional são caso disso. Estou a ver que vão ser precisas mais escutas e vídeos para dourar os apitos todos.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

EXPOSIÇÕES

Exposições a não perder:

Gulbenkian - Ana Vidigal

Centro Cultural de Cascais - Picasso e outros nomes da pintura mundial, além dos roteiros para um cave em chamas dos meus amigos Ana Viana e Francisco Condessa.

domingo, 8 de agosto de 2010

ARBITRAGEM

Começou a época e já estão a dar que falar. Neste Benfica-Porto, uma grande penalidade por marcar e uns vermelhos transformados em amarelos. Não gostaria nada que os apitos tivessem cor, mas vão ter vão...

AGOSTO

Estamos em pleno Agosto, o mês preferencial de férias. Faz um calor dos demónios, a tertúlia está de férias, a da poesia e a dos críticos que se junta à tarde junto ao cinema velho da Amadora. Estão todos de férias menos eu, que continuo por cá até dia 15. Nada se passa nesta altura a não ser o futebol que começou a dar os primeiros pontapés da época. Para o glorioso, no que diz respeito ao primeiro jogo oficial contra o FCP, não entrou nada bem. Perdeu. Mas isso também é normal em jogos de taça e contra o dito cujo. No entanto há situações que devem ser revistas e já. Das seis contratações que o Benfica fez, nem uma até agora mostrou razão para entrar na primeira equipa. Gosto de dar tempo aos novos jogadores, para poderem se ambientar e depois fazer um juízo das suas qualidades, no entanto parece-me que Roberto vai ter muitas dificuldades para se manter na baliza já que tem cometido erros a mais e o Benfica não se compadece disso. Jara e Gaitan poderão render se... e quando melhor integrados. Fábio Faria parece-me alto e tosco. Oblak o outro guarda-redes, tem 17 anos e vai de certeza para os juniores. Rodrigo é para já o oitavo avançado e nem sei sequer se ficará no plantel. E aí está como o Benfica tem três problemas para resolver: O guarda-redes, o lugar de Ramires ( que foi para o Chelsea) e a substituição de Di Maria que partiu para Madrid. Se isto não for resolvido, muito dificilmente o Benfica ganhará o campeonato. Quanto à equipa em si, parece-me cansada, com jogos a mais na pré época, e prejudicada também com a entrada rápida dos elementos que foram ao mundial e não tiveram a devida preparação de início de temporada. Quanto ao treinador, para além das pastilhas, do cabelo e do fato de treino ( a final da super taça merece outra vestimenta...) deu-lhe agora para inventar tácticas e destruir o que fez de bom ao Fábio Coentrão, empurrando-o para a frente outra vez. Faria melhor se mandasse o César Peixoto para o Brasil atrás da Diana Chaves...

terça-feira, 27 de julho de 2010

PLANO INCLINADO

Semanalmente, pelas 10 hora da noite, continuo a ser fiel a este programa da SIC Notícias. Mário Crespo, Medina Carreira e os seus convidados, Nuno Crato e João Duque continuam a dissecar um País sem rumo. Forte e feio é o mote, mas ninguém quer saber. Os sem-vergonha continuam no poder a saborear o pouco doce que ainda temos e a largar o fel para cima dos mesmos. Portugal e os Zéz deste país à deriva e os "chicos espertos" a mamar na teta da cornélia.

TEMPO DE FÉRIAS

O verão está aí, forte e quente, que deixa o povo atordoado. As férias chegam mas o Zé não parte, isto não está para modas, a Espanha e os Brasis são para poucos, o Algarve para uma minoria, fica a Caparica e as praias da linha para os sulistas e a Foz, o Castelo do Queijo e a Póvoa para os nortistas. Vá para fora cá dentro, diz Cavaco Silva, mas o Zé só tem dinheiro para ficar na "barraca". E fica bem, liga a Tv, ouve as cavacadas, as tretas do pateta alegre, os passos do coelho a querer sair da toca, o stress da banca, o Zézito na maior, no seu país das maravilhas, nada é com ele, não se freeporta nada, não se lhe oculta a face, não se escuta nada porque tudo foi reduzido a cinzas, como afinal parece ser o destino deste pequeno terreno à beira-mar atolado. Mas nada está perdido, vem aí o veneno de Salazar: a bola! A bola que rola e não se atola, que salta por cima da malta, que pula e avança por cima dos apitos dourados, por cima dos tribunais que não "tribunam" nada, por cima dos pintos, dos loureiros que não sofrem nada, porque afinal quem paga é a "jabulani" que é torta e enviezada como ninguém. Vá rapaziada é fartar vilanagem que o povo é sereno!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

GOSTAR OU NÃO GOSTAR

Gosto de safio e de eirózes, não gosto de Queirozes ou melhor, só gosto do Eça do outro não. Mas gosto do Carlos, o da Maia, dos Maias do Eça, mas não gosto do outro, o professor, o doutor, o sabedor a quem, tantos, loas lhe cantam. Prefiro "o mistério da estrada de Sintra" ao mistério das substituições; gosto mais dos Maias do que os meninos de todas as Damaias, Covas da Moura ou bairros de Santa Filomena; não troco a Relíquia pela relíquia vedeta com ar de zangada; exulto mais com a tragédia da rua das flores e choro com a tragédia ou tragicomédia que foi a estratégia do senhor pensante; e finalmente por entre as cidades e as serras descubro A Capital, incomensuravelmente melhor do que o capital de burrice com que o senhor mandarim da coisa nos brindou.