Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

FINALMENTE

Há muito que ando a falar das questões menores com que nos defrontamos no dia a dia. Finalmente alguém, na sua cidade, quer pôr cobro a isto. Estou a falar do presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, que quer estabelecer multas para quem cuspir para o chão, para os riscadores de paredes (que se intitulam "grafittis"), para os donos dos cãezinhos que andam por aí a dejectar as ruas e para outras situações de falta de civismo. Não era sem tempo e espero bem que outros presidentes e outras cidades sigam este exemplo. Diziam os ingleses dos portugueses, no livro de Vitorino Nemésio "Mau tempo no Canal": "estes portugueses ainda continuam a cuspir para o chão..." Isto no século dezanove...

Domingo, 5 de Fevereiro de 2012

QUINHENTOS

QUINHENTOS


são quinhentos os que partem todos os dias
são quinhentos aqueles que se fazem ao mar
são quinhentos que abrem hemorragias
num país que não pára de sangrar.

e esta sangria que teima em continuar
abrindo feridas em corpos desatentos
é mal que faz a barca naufragar
e levar para o fundo tantos quinhentos.

Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

FEIRA DA LADRA

Hoje fui à feira da ladra! há quanto tempo não percorria os caminhos que vão dar a esta tradicional feira lisboeta. As ruas pejadas de gente, os feirantes espalhados por todos os espaços imaginários, as bancadas com todas as "velharias" desordenadas pelas bancas, o chão de lençóis atapetado, cobertos de artigos novos e velhos, são o chamariz para quem procura a "tal" peça a preços irrisórios. A feira da ladra continua igual a si mesma. Notting hill é uma feira em Londres mas de uma só rua. A feira da ladra é uma feira de todos os espaços. Inigualável!





Feira da Ladra

Sábado, 14 de Janeiro de 2012

DIA 14, POEMA VINTE

VAMPIROS



tanto canto tanto mar
tantos vampiros tanta orgia tanto manjar
e nós
marinheiros
sem sabermos nadar.

Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012

DIA 13, POEMA DEZANOVE

VOLTAR


Todas as cidades são rios que nos levam até ao mar
e do mar ao horizonte e do horizonte ao além
todos os rios são navios que vão pelos oceanos
todos os homens são marinheiros que não sabem navegar
todas as horas são dias todos os dias são anos
e nem todas as sementes voltarão à terra mãe.

Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012

DIA ONZE, POEMA DEZOITO

MARINHEIROS



se formos todos marinheiros se em navios de breve esperança
navegarmos em tumultuosas marés
quem ficará para chorar a nossa ausência?

Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012

DIA DEZ, POEMA DEZASETE

QUE ILHAS TENS TU


que ilhas tens tu para me dar
que ilhas me dás para descobrir
se eu partir rio abaixo até à foz
se eu da foz me fizer até ao mar


fazer-me ao mundo sem ter lugar
olhar para trás e poder sentir
que havendo mar não cala a voz
das ilhas que vamos despertar.

DIA DEZ, POEMA DEZASSEIS

AINDA O MAR


cumpriu-se o mar de Pessoa, cumpriu-se de ti Sofia
esse mar novo que nos deste
que falta cumprir meu amor? se em nós o mar
é desafio ou fatalidade
se o destino é este fado património de nós
que nos tolhe ou desafia
e nos faz zarpar sem saber afinal
se vamos cumprir Portugal.